Cesar AugustoDifícil travessiaMulher enfrenta lama com sacolas de plástico nos pés: incômodo para moradores e prejuízos para comerciantes Moradores de bairros de Londrina onde foram iniciados os serviços de asfaltamento sofrem os transtornos provocados pela abertura de valetas para implantação de galerias de águas pluviais, meios-fios, bocas-de-lobo e preparação do leito das ruas que receberão a pavimentação.
É o caso do conjunto Alexandre Urbanas, na zona leste. Empreiteiras contratadas pela Prefeitura iniciaram os trabalhos, e as chuvas da semana passada praticamente isolaram o bairro. Os ônibus do transporte coletivo chegam apenas à primeira rua que dá acesso ao conjunto. Os moradores são obrigados a caminhar no barro até vinte quadras para tomar o ônibus.
Os comerciantes também reclamam, porque os fornecedores se recusam a fazer entrega de mercadorias. Enfrentam dificuldades, também, para fazer suas entregas em domicílios dos fregueses. ‘‘O conjunto está um caos. Não há condições de a gente trabalhar. Se as obras não forem concluídas rapidamente vamos sofrer muitos prejuízos’’, disse um comerciante, que pediu para não ser identificado.
A Associação de Moradores também cobra rapidez na execução das obras. ‘‘Sabemos que as chuvas dificultam os trabalhos. Mas as empreiteiras planejaram mal a execução da obra, iniciando os trabalhos nas ruas de acesso ao conjunto. Nos dias de chuva ficamos praticamente ilhados’’, reclama o secretário da entidade, Maurício Paulino, 30 anos, morador da rua José Danielides, 170. Ele acrescenta: ‘‘A chuva impede a execução das tarefas, mas até em dia de tempo bom as empreiteiras têm faltado ao trabalho’’.
As donas de casa são as mais indignadas com a situação. ‘‘É um absurdo. Nem lixeiro está passando’’, desabafa Rosângela Aparecida Alves, 26 anos, moradora da rua Sebastião da Penha Barbosa. ‘‘Se um adulto pesado ficar doente aqui, pode morrer porque fica impossível levá-lo no colo até o ponto de ônibus’’, emenda Maria Ronildes Ribeiro, 39, moradora da rua Bernardino Vasconcelos de Azevedo. Ela diz ainda que está sofrendo com a filha de 17 anos, que sofreu um acidente mas que, todo dia, tem que ir e voltar do ponto de ônibus. ‘‘Somos obrigados a colocar sacos plásticos ou levar outro par de calçados para trocar quando chegamos ao ônibus.’’
No Jardim dos Estados, zona norte, a reclamação fica por conta da falta do início das obras de pavimentação do bairro. A situação é agravada pela abrertura de valetas para a implantação da rede coletora de águas pluviais. ‘‘A situação do Jardim dos Estados sempre foi horrorosa. Nos dias de sol a poeira é insuportável; nos de chuva, o barro dificulta a vida de todo o mundo. Os buracos deixam as ruas intransitáveis até para carros’’, reclama Maria Lúcia Teles, dona de casa de 35 anos que mora na rua Pedro Batista Oliveira. ‘‘Como a Prefeitura abriu as valetas e não concluiu o serviço, a situação ficou ainda pior: aumentaram o barro, a poeira e os buracos.’’
A moradora reclama também da demora no início do asfaltamento. ‘‘O prefeito prometeu asfaltar o bairro. Mas até agora não passou de promessa. Estamos aguardando as máquinas’’, completa Maria Lúcia, dizendo que o transtorno provocado pelo serviço de terraplenagem deve ser muito maior, mas é melhor porque haverá a esperança de que os transtornos estarão com os dias contados.

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