Chuva ressalta velhos problemas do Bosque
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quinta-feira, 22 de maio de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - A chuva de ontem ressaltou os velhos problemas do Bosque Marechal Cândido Rondon, localizado na área central de Londrina, entre a Catedral e o Colégio Mãe de Deus. Os pedestres mal suportavam o cheiro das fezes das pombas. Além disso, o excremento formou uma camada pastosa muito escorregadia. Fiscais da Zona Azul voltaram a utilizar máscaras, os pedriscos da pista de caminhada se misturavam com as fezes das pombas e tudo parece longe de ser solucionado. Some-se a isso problemas recorrentes, como uso do espaço como banheiro por moradores de rua e o ativo comércio de entorpecentes no local.
As reclamações são as mesmas há anos. Monsenhor Bernardo Gafá reside ao lado do Bosque e relata que a situação está intolerável. "A prefeitura corta alguns galhos, mas o Bosque e as praças do centro estão tomados de fezes de pombos e isso é uma coisa do inferno. É preciso uma solução drástica para eliminar boa parte dessas pombas", reclamou.
O religioso afirmou que precisa manter as janelas fechadas o tempo todo e a sujeira das calçadas acabam caindo na galeria pluvial e poluindo as águas que acabam nos lagos de Londrina. "É muito triste que Londrina esteja celebrando seus 80 anos desse jeito", declarou.
Para o taxista Mário Lemos de Proença, de 69 anos, 16 deles no ponto em frente ao Bosque, a degradação do local começou com a superpopulação de pombas. "Eu não sei dizer exatamente quando foi que isso aconteceu, pois a gente fica aqui direto e acaba não estabelecendo uma data para isso. Mas antes o Bosque era limpo. Mas ele precisa ficar aí, pois é o pulmão de Londrina. Para quem trabalha aqui é horrível."
Para quem mora no edifício que fica em frente à área verde, a situação também está bastante crítica. A advogada Paola Gallina afirma que não tem coragem nem de passear com seu cachorro no local. "É um cheiro forte, que arde o nariz. Recentemente houve uma melhora na iluminação e na segurança com a volta da Guarda Municipal ao Bosque. Gostaria que este espaço ficasse como o Lago Igapó, onde as famílias pudessem passear com a família."
Encontro
Segundo a secretária municipal de Ambiente, Maria Silvia Cebulski, a Sema realizará uma reunião no dia 28, às 19 horas, no auditório da Acil. A comunidade está convidada a participar e o objetivo da secretaria é coletar sugestões sobre o que fazer com o Bosque.
Ela destacou que já falou com alguns ambientalistas, que confirmaram a presença e pediu para que haja uma participação grande da comunidade. "É a primeira reunião pública. Já realizamos outras três com os órgãos internos da prefeitura nas quais constatamos o quadro atual do local", ressalta. "Chegamos à conclusão que o Bosque está degradado do ponto de vista ambiental e que o Zerinho (pista de caminhada) e as mesas para jogos estão em situação crítica, além do calçamento, que precisa de substituição. Precisamos ouvir a população para termos uma solução mais democrática sobre o que fazer com o Bosque. Sobre a parte da segurança, concluímos que isso envolve a retirada dos moradores de rua", declarou.


