Chuva provoca estado de emergência em Morretes
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terça-feira, 28 de janeiro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Morretes - Chuvas fortes e contínuas que caíram na Serra do Mar durante o final de semana causaram alagamentos e destruição no litoral do Paraná. Morretes, município mais prejudicado pelas chuvas, teve estado de emergência decretado ontem de manhã. O acesso à cidade ficou interrompido durante a manhã de ontem e início da tarde, por causa de deslizamentos de terra na BR-277, que liga Curitiba às praias, e alagamentos na PR-408.
Segundo a Defesa Civil, cerca de mil pessoas foram atingidas pelos alagamentos. Mas esse número deveria aumentar até a noite, já que algumas regiões ficaram completamente isoladas, impedindo o acesso das equipes de resgate. O Corpo de Bombeiros estava utilizando botes para fazer alguns salvamentos e iria utilizar helicópteros para chegar aos pontos mais críticos. De acordo com o prefeito de Morretes, Helder Teófilo dos Santos (PMDB), a situação das localidades de Anhaia, Novo Mundo de Anhaia, Cabrestano e Rodeio era desconhecida até às 15 horas de ontem.
O capitão Luiz Henrique Pombo, do Corpo de Bombeiros, disse que foram as chuvas que caíram na Serra do Mar as responsáveis pelo alagamento de quase metade da cidade de Morretes. ''Aqui choveu no sábado e domingo, mas bem fraquinho. O problema é que na serra choveu muito forte'', relatou. A água que desceu dos morros fez transbordar os rios do Pinto e Marumbi por volta das 23 horas de domingo. Os rios chegaram a subir quase seis metros acima do nível normal. ''A água estava no teto das casas quando chegamos aqui'', disse Pombo.
A maior parte das famílias desabrigadas se alojou na casa de parentes e amigos. Até o início da noite de ontem, apenas cerca de 60 pessoas foram encaminhadas para os abrigos da Defesa Civil: os colégios Rocha Pombo e Vila das Palmeiras. ''Por mais que a chuva pare, esse número deve aumentar bastante porque muitas pessoas estão tentando recuperar o que perderam ou não tiveram ainda como sair das regiões'', disse o tenente Maurício Genero, da Defesa Civil. Segundo ele, a Defesa Civil em Curitiba estava enviando cobertores e comida para dar conta de todos os necessitados de Morretes.
O Rio Nhundiaquara também subiu alguns metros acima do nível normal, alagando o centro histórico de Morretes. ''Vamos fazer um levantamento dos prejuízos totais para então tentar negociar com o governo estadual alguma ajuda'', informou o prefeito. Cerca de 100 homens foram mobilizados para auxiliar nas operações de resgate, entre funcionários da prefeitura, soldados do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Florestal.


