MARILÂNDIA DO SUL - A prefeitura de Marilândia do Sul (34 quilômetros ao sul de Apucarana) decretou estado de emergência na zona rural do município, por causa dos prejuízos provocados pelas chuvas dos últimos dias, especialmente no final de semana. Pelo menos duas represas romperam, arrastando plantações de hortaliças, destruindo pontes e bueiros e danificando estradas rurais.
O prefeito Ivan Carlos Beligni (PTB) ainda não tinha, ontem à tarde, o levantamento dos estragos na região. As únicas informações foram repassadas a ele por agricultores das áreas atingidas. Beligni disse que o único veículo da prefeitura que teria condições de rodar pelas estradas rurais está parado na oficina.
‘‘Precisamos de tempo bom para podermos fazer levantamento completo dos estragos. Informações preliminares dão conta que pelo menos duas pontes foram levadas pelas chuvas e represas romperam. Além disso, a safra agrícola da região está comprometida’’, disse. O município destaca-se pela produção de hortifrutigranjeiros, em especial a cultura de cenoura.
Segundo o secretário de Obras da prefeitura, Sérgio Zarpellon, várias estradas estão intransitáveis, deixando diversas comunidades rurais isoladas. Na zona urbana, três pontes vão precisar de reparos. O prefeito teme que os buracos abertos pelas chuvas se transformem em erosão, caso o município não receba ajuda imediata do governo do Estado.
EstragosO agricultor Willi Sturzenegger Filho, 42 anos, teve uma represa rompida em sua propriedade. Ele explica que a represa foi construída há cinco anos para irrigação, seguindo todos os itens de segurança. ‘‘A represa tinha uma boa vazão. O problema é que choveu 105 milímetros durante o domingo. Não há represa que aguente este volume de água’’, afirma.
Sturzenegger calcula que teve um prejuízo de pelo menos R$ 10 mil com o rompimento da barragem. Por sorte, as águas seguiram o leito do rio e arrancaram somente árvores. Agora ele aguarda as chuvas pararem para reconstruir a represa, desta vez com base de concreto.
ArrastãoOutra represa que rompeu e causou prejuízos fica na fazenda de Vacir Favoreto. As águas arrastaram tudo o que encontraram pela frente em diversas propriedades menores abaixo da fazenda. Segundo um funcionário da fazenda, que não quis se identificar, Favoreto está viajando. ‘‘Estamos fazendo um levantamento dos prejuízos, mas não posso falar nada sem ter todas as informações em mãos’’, comentou.
Segundo declarou, a represa foi construída bem antes da família Favoreto adquirir o imóvel. ‘‘Ela sempre esteve em boas condições e tinha boa vazão. No final do ano passado nós revisamos a área e fizemos algumas reformas. Ela estourou foi por causa do excesso de chuva’’, explicou.
Além de comprometer a safra, a chuva gerou um problema social: parte da população trabalha como bóia-fria e está sem serviço nas últimas semanas. ‘‘Todos os dias recebemos dezenas de trabalhadores pedindo ajuda. Não temos como atender todos os pedidos’’, diz o prefeito Ivan Beligni. Ele espera uma resposta do Estado para os próximos dias.

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