As chuvas voltaram a provocar grande estrago ontem em Londrina. De acordo com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), a precipitação chegou a quase 40 milímetros no intervalo das 13h às 14h45. No acumulado do mês, já choveu em Londrina 360 milímetros, mais que o dobro da média histórica para o mês (160 mm). A zona sul foi a mais afetada. O caso mais grave ocorreu no Colégio Estadual Carlos Mungo Genez, na Rua Doutor Gilney Carneiro Leal, no Conjunto Jamile Dequech (zona sul).
Segundo a diretora Elenice Bueno de Paula, a água veio da PR-445 e entrou pelo estacionamento, invadindo salas de aula e a secretaria. Os cerca de 140 alunos que estavam na escola, de idades entre 11 e 16 anos, foram removidos para o andar de cima e depois liberados quando a chuva diminuiu. O prédio ficou inundado por cerca de duas horas.
Ainda conforme a diretora, a água derrubou parte do muro e estragou materiais e móveis, especialmente os armários. Os funcionários iniciaram a limpeza das salas e reparos no telhado, que apresentou diversas goteiras durante o temporal, mas o trabalho deve continuar hoje. As aulas da noite de ontem e da manhã de hoje foram canceladas.
Doze carros estavam no estacionamento do colégio. A inundação foi tão intensa que eles ficaram flutuando na água e batendo um nos outros. "Ficamos com medo das crianças serem levadas pela correnteza, porque isso aqui parecia um rio. Tinha uma correnteza que, se elas permanecessem na parte de baixo da escola, corriam o risco de serem levadas pelas águas", relatou.

Chuva provoca alagamento em escola
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A aluna Miriam de Souza, de 12 anos, contou que ficou muito assustada. "A gente se encolheu em um canto da sala, mas a água veio cada vez mais para cima da gente. Ficamos preocupados com uma colega que é cadeirante. Foi ela quem nos avisou que a escola estava ficando inundada. Ela tinha saído para ir ao banheiro quando viu a água chegando. A professora falou para ficarmos dentro da sala, mas como a gente ia ficar dentro da sala com a água entrando? Depois é que falaram para a gente ir para o andar de cima", relatou.
Elenice destacou que o colégio perdeu muitos documentos, mas ainda não contabilizou os prejuízos, já que a prioridade foi salvar as crianças. "Nós ainda não sabemos se os computadores irão funcionar. Perdemos alguns móveis e não perdemos a merenda graças a alguns alunos que se lembraram que os mantimentos estavam armazenados na parte de baixo da cozinha e levantaram tudo para que não fossem atingidos pelas águas", declarou.

TRANSTORNOS
Com o temporal de ontem, ruas e avenidas da cidade voltaram a ficar alagadas. Um dos trechos afetados foi o entorno do cruzamento da Avenida Dez de Dezembro com a PR-445. A Duque de Caxias também ficou alagada em frente ao prédio da Prefeitura. A estrada que leva ao Distrito de Maravilha, no extremo sul de Londrina, ficou intransitável em alguns pontos. Na Rua Ernestina Duque Estrada, no Jardim Tarobá (zona sul), a água chegou a invadir residências.
O Corpo de Bombeiros registrou um alagamento na Rua dos Cozinheiros, no Jardim União da Vitória (zona sul). Os bombeiros também foram acionados para atender um incêndio em um imóvel do Distrito de Irerê. Segundo os proprietários, que conseguiram controlar as chamas e cancelaram o deslocamento da equipe logo depois, o fogo teria sido provocado por um raio.
O Simepar registrou ventos de 60 quilômetros por hora em alguns pontos da cidade. Uma árvore caiu sobre um carro na Rua Guaporé, quase no cruzamento com a Rio Grande do Norte, no centro. Segundo a Defesa Civil, não houve feridos e o trânsito não precisou ser interrompido.(Com Grupo Folha)

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