A Copel pretendia deflagrar no início da semana a operação de enchimento do reservatório da Hidrelétrica de Salto Caxias, mas não foi possível porque o Rio Iguaçu apresentava grande vazão, de até 5 mil metros cúbicos por segundo, devido a constantes chuvas. Segundo o superintendente de Empreendimentos Especiais da Copel, engenheiro Nélson Toniatti, é necessário que a vazão baixe para cerca de 1,5 mil metros cúbicos por segundo. Se as chuvas pararem logo, a operação será iniciada durante a próxima semana.
O lago começará a ser formado após serem fechadas as 15 galerias situadas na base do vertedouro da barragem, para as quais as águas do Rio Iguaçu foram desviadas em novembro do ano passado, permitindo a realização das outras obras. O fechamento vai demorar seis horas e serão utilizadas 15 comportas de aço, cada uma com 10 metros de altura e 4,5 metros de largura, pesando 30 toneladas.
Dois guindastes com capacidade para 120 toneladas moverão as comportas uma a uma, a partir das extremidades e em direção ao centro. Segundo o engenheiro Marco Aurélio Sprenger Ribas, gerente do Departamento de Implementação de Salto Caxias, durante todo o período de enchimento, duas galerias existentes na margem direita da barragem permanecerão abertas. Por elas verterão em média 200 metros cúbicos de água por segundo. O volume é superior aos 152 metros cúbicos da menor vazão historicamente registrada no Iguaçu.
Edson MazzettoEngenheiro Antônio Fonseca garante que não haverá ‘desastre ecológico’Além disso, o rio continuará recebendo as águas de afluentes entre a barragem e sua foz, o que, segundo Ribas, em condições normais, deve manter a vazão em 600 metros cúbicos por segundo, atendendo a legislação ambiental. Representantes de algumas entidades ambientalistas têm alertado que, sem um eficiente monitoramento da operação, a vida de muitos animais aquáticos estará ameaçada. Tereza Urban, da entidade ‘‘Rede Verde’’, chega a especular sobre a possibilidade de uma ‘‘catástrofe ecológica’’.
Por outro lado, empresários do turismo, nas regiões de fronteira entre Brasil e Argentina, temem que as Cataratas do Iguaçu, compartilhadas pelos dois países, perderão temporariamente sua beleza por causa do menor volume de água durante o período do enchimento do reservatório. Isto poderia representar prejuízos comerciais pela redução do número de turistas em Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú (Argentina).
O gerente da Coordenadoria de Impactos Ambientais, engenheiro Antônio Fonseca dos Santos, assegura que os riscos existiriam se não tivessem tomado as cautelas necessárias. Segundo Fonseca, o período de enchimento não terá efeitos diferentes do que a própria natureza já fez historicamente com a redução da vazão do rio. O engenheiro diz que equipes de profissionais ficarão na região durante todo o período do enchimento do lago para resgatar peixes que encontrarem dificuldades de sobrevivência.
Além disso, as autoridades ambientais proibiram a pesca entre a barragem e as Cataratas do Iguaçu porque ela seria predatória em função da maior dificuldade que os peixes terão para se deslocar. Santos observa ainda que a operação de enchimento e salvamento de animais será a maior já feita pela Copel, mobilizando 60 pessoas da própria empresa, 20 homens da Polícia Florestal e Corpo de Bombeiros, 10 carros, 12 barcos e helicópteros, a partir de três bases ao longo do trecho do Rio Iguaçu.

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