Péssima é o qualidade atribuída pelos motoristas às estradas rurais de Londrina. Os depoimentos foram colhidos ontem pela reportagem no caminho entre os distritos Irerê-Paiquerê-Maravilha (zona sul). Todos foram unânimes na crítica à prefeitura que, segundo eles, esqueceu aquela parte da cidade nos últimos cinco anos.
Entre Irerê e Paiquerê os buracos tomaram conta da pista. O secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, culpa os areeiros pelo prejuízo e promete ser mais rigoroso. ''Eles não respeitam a lei e trafegam por ali com excesso de carga várias vezes ao dia. Já pedimos a cooperação deles, mas nada mudou do ano passado para cá. Eles não se importam com o transtorno que causam a outras pessoas e nem com as dificuldades financeiras do município. Só vou recapear o trecho em consideração aos produtores e usuários daquela estrada. A partir daí, faremos blitze constantes e vamos multar mesmo'', advertiu o secretário.
Independente de quem é a responsabilidade pelo estrago, o fato é que os motoristas têm que passar por ali, desviando dos buracos. O plantador de soja João Sérgio Blanco disse que já rasgou um pneu numa das 'crateras' abertas na estrada. Cada vez que chove a situação piora porque o tráfego fica mais perigoso e os buracos aumentam de número e tamanho.
No caminho de Paiquerê a Maravilha o problema é o barro que 'segura' os carros. Segundo o tratorista Carlos Alberto Portineli, nos dias de muita chuva só o trator passa por ali. Ele trabalha na região há oito anos e disse que todo verão é assim. O produtor rural José Carlos Coutinho confirma a informação. ''Quando a terra está muito molhada não saímos de casa porque nem o cavalo aguenta. O ônibus que vai para Londrina e a kombi escolar muitas vezes deixam a gente no caminho para não atolar''.
Para Ademar Santos Ferreira, diretor de desenvolvimento da Secretaria da Agricultura, responsável conservação de vias na zona rural, o problema não é a chuva e sim dos agricultores. De acordo com ele, falta respeito à Lei Orgânica do Município (LOM) artigos 144 a 153. ''Se as plantações estivessem mais distantes da estrada, se houvesse terraceamento e curvas de nível, por exemplo, a água das propriedades não invadiria a estrada. Na verdade, é ali que surge o problema. Nós recuperamos e eles não conservam'', justificou.
Ferreira afirmou que de fevereiro a março a secretaria vai retomar o Projeto Safra, que restaura e patrulha os trechos mais críticos da zona rural para facilitar o escoamento da produção agrícola. Até agora, ele disse que 120 quilômetros já foram atendidos com quebra de barranco, levantamento do leito, abertura dos 'bigodes' e moledamento da pista. Cada quilômetro melhorado custa R$ 12 mil aos cofres públicos.
Para fazer valer a lei, Ferreira disse que a prefeitura já solicitou o apoio da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Segundo ele, os agricultores que forem notificados estão sujeitos a uma multa que varia de 30 a 40 Unidades Fiscais do Município.

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