Chuva não atrapalha visita aos mortos
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sábado, 03 de novembro de 2007
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nem mesmo a garoa fina que caiu ontem em Curitiba impediu que parentes e amigos fossem aos cemitérios prestar sua homenagem no Dia de Finados. Em vários cemitérios, o movimento era parecido: muita gente comprando flores nas floriculturas próximas, outras aglomeradas ao redor de espaços criados especialmente para acender velas, e muita gente arrumando os túmulos. A previsão da Prefeitura era de que cerca de 100 mil pessoas visitassem os quatro cemitérios muncipais.
No Cemitério São Francisco de Paula, mais conhecido apenas como Municipal, como acontece todos os anos, muita gente compareceu ao túmulo de Maria Bueno. Nascida em Morretes, Maria Bueno mudou-se para Curitiba, onde foi morta aos 29 anos, em janeiro de 1893, por ciúmes, pelo soldado Inácio Diniz. Conta a história que Maria era muito popular onde morava, por isso as pessoas começaram a rezar por ela, vindo logo a atribuir-lhe milagres.
Eliane Santos é uma das devotas de Maria Bueno. ''O maior milagre foi a vida da minha filha, que estava no hospital; os médicos deram três horas de vida, eu vim e pedi para ela me ajudar. Em troca eu passaria a cuidar dela para o resto da minha vida. Hoje minha filha está lá, correndo, andando de bicicleta'', conta Eliane, que cuida do túmulo de Maria Bueno como zeladora voluntária.
Nilza Foggeatto Guimarães conta que antes ia todos os sábados ao cemitério prestar sua homenagem ao marido e outros parentes, mas por causa dos assaltos diminuiu as visitas, mas não falta nunca no Dia de Finados. Junto com a filha Marilsa Fiorese, passou ontem em quatro túmulos: do marido, dos avós, sogros e de uma amiga. '' Ainda deixo um pouco de flor para os túmulos que estão abandonados'', diz.
Marilsa completa lembrando que o Dia de Finados é também Dia da Indulgência. ''Tem que rezar por uma alma, comungar em intenção à essa alma, fazer a confissão e rezar pelo papa para que a alma tenha indulgência'', explica. Ali perto, Jurema Zanelato Serqueira acende velas e arruma flores no túmulo da filha, que morreu há sete anos. ''O dia 2 é uma data que estabeleceram, mas o certo, segundo meu finado avô, é ir no cemitério no dia 1º de novembro'', diz. O avô, conta, costumava ir ao cemitério no dia 1º, no dia 2 mandava rezar uma missa e à tarde voltava ao cemitério. ''Ele contava que os antepassados passavam por ali e ficavam felizes de ver o túmulo enfeitado'', completa.


