Da Sucursal

Gilson AbreuRescaldoCrianças retiram do Rio Nhundiaquara tênis encontrado ontem pela manhã, depois que o rio voltou ao seu nível normalPelo menos uma pessoa morreu e outra estava desaparecida até o final da tarde de ontem em Morretes, no litoral do Estado, onde passavam a terça-feira de Carnaval fazendo o tradicional passeio de bóias pelo Rio Nhundiaquara. Dezenas de pessoas que desciam o rio foram surpreendidas, por volta das 16 horas, por uma chuva forte que transformou o Nhundiaquara numa correnteza violenta, transbordando e arrastando turistas e barracas instaladas nas margens.
Moradores da região afirmaram ter visto mais de um cadáver sendo levado pela correnteza, mas não havia confirmação.
Segundo bombeiros e moradores da região, o nível do rio subiu cerca de três metros em poucos minutos, como resultado de uma ‘‘cabeça d‘água’’ - chuva intensa e repentina que caiu na serra. O desespero tomou conta de várias pessoas que estavam no rio. Muitas choravam mesmo depois de conseguir atingir a margem.
Pouco antes das 17 horas, o dono de uma lanchonete na localidade de Porto de Cima, onde são alugadas as bóias, retirou da água o corpo de Cláudio Roberto Wrublak, de 40 anos. No mesmo ponto, o comerciante Sérgio Rodrigues salvou uma moça que estava sendo arrastada pela correnteza. ‘‘Ela gritava que não sabia nadar e estava a ponto de largar a bóia, o que seria morte certa’’, contou.
No final da tarde de ontem, a polícia suspendeu temporariamente as buscas ao caminhoneiro Paulo César Barreto Pinto, de 26 anos, que desapareceu no rio quando fazia o passeio de bóia com o futuro sogro, o comerciante Arlindo Inácio Souza. Os dois tinham vindo de São Paulo passar os feriados com a família de Souza em Paranaguá. Estavam num ponto conhecido como Poço Preto quando foram surpreendidos pela enxurrada.
Outras duas pessoas chegaram a ser dadas como desaparecidas, porque esqueceram documentos nas barracas de aluguel de bóias, mas foram localizadas ontem. Várias pessoas informaram ter visto cerca de 35 bóias descendo o rio sozinhas, levantando a suspeita de que pudesse haver mais desaparecidos. Os bombeiros encontraram pés de calçados e algumas roupas nas margens do rio.
A chuva também pegou de surpresa a comerciária Lilian Huebner, de 49 anos, que fazia uma pequena expedição a pé com três filhos de uma amiga, de 15, 12 e nove anos. O grupo errou o caminho, que exige atravessar três rios, e não conseguiu voltar antes da chuva. Sem comida, água nem cobertas, os quatro passaram a noite numa ilha e foram localizados ontem pela manhã.

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