Chuva forte causa estragos na periferia
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terça-feira, 16 de maio de 2000
Érika Pelegrino de Londrina 
A aposentada Francisca dos Santos, 48 anos, viu o sonho de uma vida inteira desabar. Foram suficientes apenas 12 minutos para o telhado de sua casa e do bar que tenta construir na frente da residência serem destruídos. O vendaval, que começou por volta das 16 horas de ontem, criou muitos outros protagonistas de histórias trágicas, principalmente na periferia de Londrina.
Só no Conjunto João Turquino (zona oeste) foram mais de 20 casas parcial ou totalmente destruídas. No assentamento Maracanã, ao lado do João Turquino, no conjunto União da Vitória (zona sul), no conjunto José Bonifácio, casas também foram destelhadas ou até mesmo destruídas.
A chuva forte durou poucos minutos mas gerou pânico, destruiu casas, deixou dezenas de pessoas desabrigadas, crianças machucadas e expôs mais uma vez a miséria em que milhares de londrinenses vivem.
Francisca dos Santos, moradora do Columbia A (zona sul), é apenas uma personagem desta história, mas representa o drama de muitas outras pessoas. O sonho da minha vida foi ao chão em poucos minutos, dizia chorando. Eu levei uma vida inteira para juntar R$ 7 mil e construir esta casa.
O que restou na casa de Francisca dos Santos foram cômodos alagados, todo telhado destruído, a lage molhada por onde escorria a água da chuva. O marido de Francisca, Carlos dos Santos, 59 anos, não dizia nada, apenas chorava enquanto remexia nos entulhos. O casal tinha se mudado para a casa, com o filho Emanuel, 7 anos, há apenas cinco meses.
Quando o vento acompanhado de chuva e pedras começou, parte da casa de Francisca e Carlos dos Santos começou a cair. Eu abri a porta e vi o telhado desabando. Não podia acreditar no que estava acontecendo, contou. O marido saiu correndo para pegar o filho na escola. Ele ficou desesperado com medo de que a escola também estivesse desabando, afirmou a mulher.
Inconformada e sem condições de ficar na casa, ela não sabia o que ia fazer. O marido está desempregado e eles vivem com uma pequena renda mensal. Com uma aposentadoria de R$ 200,00 eu nunca vou conseguir consertar todo este estrago, lamentava.
O bar, que estava sendo construído na parte da frente com o objetivo de aumentar a renda da família, também teve o telhado destruído. Uma vizinha socorreu a família e ofereceu sua casa para Francisca ficar com o marido e o filho.
Moradora do conjunto João Turquino (zona sul), Maria Aparecida Teodoro, 30 anos, foi protagonista de uma outra história dramática. A casa de três cômodos onde morava com os seis filhos ficou totalmente sem telhado e alagada.
Sem ter para onde ir, ela disse que passaria a noite ali mesmo com os filhos.
Os vizinhos estavam sensibilizados, mas todos viviam o mesmo drama: casas destelhadas e alagadas, paredes desabadas. O secretário de Ação Social, José Dorival Perez, afirmou para a Folha que seria realizada uma frente de emergência para atender os desabrigados pela chuva, ainda na noite de ontem, com alimentos, roupas e abrigo.


