Chuva forte causa estragos em Londrina
MADRUGADA DE ÁGUA Chuva forte causa estragos em Londrina Manhã, ontem, foi de limpeza para moradores de bairros atingidos por alagamentos Josoé de CarvalhoPROBLEMA CRÔNICOA Rua Santa Margarida, no Jardim Pindorama, amanheceu alagada ontem, como acontece sempre que chove forte na cidadeJosoé de CarvalhoO guarda-noturno Arcelino Cordeiro: limpeza da rua ao invés do descansoJosoé de CarvalhoJosoé de CarvalhoOs veículos tiveram dificuldade em trafegar pela Rua Adhemar de Barros, tomada pelo barro (acima). Na Rua Roberto Roherig (ao lado), homem tira a lama com ajuda de um carrinhoJosoé de CarvalhoFuncionários da Econorte limpam o acesso à BR-369Josoé de CarvalhoChuva causou prejuízo aos comerciantes do Mercado Guanabara Telma Elorza De Londrina A chuva que caiu na madrugada de ontem em Londrina, durou apenas uma hora mas causou muitos problemas em diversos pontos da cidade. Segundo o meteorologista Tarcizio Valentin da Costa, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o índice de precipitação pluviométrica alcançou 79,6 milímetros em uma única hora, mais da metade da média histórica registrada no mês de março, que é de 141,4 milímetros. De acordo com o meteorologista, a chuva da madrugada foi a mais intensa registrada este ano em Londrina. E, segundo ele, pode haver novas precipitações do tipo já que uma frente fria está se deslocando pela região sul do Brasil que, associada a áreas de instabilidade que se desenvolvem durante o dia, deixa o tempo nublado, com chuvas e trovoadas no decorrer do período em todo o Estado. Para a pedagoga Edisleine Carnevale Única, 39 anos, a chuva da madrugada foi o começo de um pesadelo. Ela levou um susto quando acordou ontem de manhã e viu marcas de alagamento em sua residência, na Rua Roberto Júlio Roherig, Jardim Mediterrâneo (zona sul), um bairro nobre da cidade. A casa teve o quintal com dependências e áreas de serviço e lazer totalmente alagado pela enxurrada que veio da rua. A pedagoga não se conformava com os estragos causados pela enchente. A água inundou os depósitos onde meu marido, que é representante de vendas de produtos farmacêuticos, guarda material para distribuição. Acabou também com material de construção que a gente tinha guardado direitinho, estragou móveis e equipamentos, lamentou. Segundo a pedagoga, a família mora no local há apenas sete meses e não sabia que no bairro as inundações são comuns, por não haver saída para a galeria de águas pluviais. Agora, depois deste estrago é que fiquei sabendo que aqui costuma alagar. E a prefeitura não faz nada para resolver o problema. Quem vai pagar meu prejuízo?, questionou. Os vizinhos confirmaram que o problema é antigo no bairro. Quase todos os proprietários de casas desta rua tiveram que construir rampas e diques para evitar alagamentos. Quem ainda não tem está tratando de fazer, porque os constantes alagamentos estão comprometendo as estruturas das casas, relatou o servidor público aposentado Hélio Esteves do Nascimento, 50 anos. Segundo ele, o problema é causado pela falta de rede de escoamento na Avenida Harry Prochet, onde as galerias de água deveriam desaguar. Desde que fecharam o condomínio residencial Tucanos, a água escorre toda para cá. Depois que asfaltaram lá em cima, perto da PR-445, o problema piorou. Aqui, temos a galeria mas ela não tem saída. Quando chove muito, isto aqui vira uma lagoa. Nos bairros mais pobres da cidade, como o Conjunto Pindorama (zona leste), onde o problema de alagamento é crônico, a chuva forte da madrugada foi mais uma triste rotina. Para os moradores das ruas Santa Margarida e Santa Filomena, a manhã foi utilizada para fazer limpeza dos quintais e calçadas. Eu cheguei do serviço e deveria estar dormindo, mas não. Estou aqui, limpando fezes, disse o guarda-noturno Arcelino Alves Cordeiro, 61 anos, residente em uma das casas na esquina das duas ruas. Segundo ele, a forte enxurrada fez a ligação de esgoto vazar em frente ao seu portão e espalhou lama e esgoto por uma área de 100 metros. O caminhão da prefeitura acabou de sair daqui. Eles vieram limpar a rua, porque ninguém conseguia sair de casa. Mas resolver o problema ninguém resolve, acusou a dona de casa Terezinha Duarte, residente no local há 45 anos. Terezinha diz que não aguenta mais reclamar. Só falta boa vontade da prefeitura. Aqui é só pôr uns cinco metros de tubulação e passar uma camada de asfalto que resolve o problema, disse. A chuva também trouxe problemas para os comerciantes permissionários do Mercado Municipal do Parque Guanabara (zona sul). Mais uma vez, eles chegaram para trabalhar e encontraram o prédio municipal alagado. Faz 20 anos que sou permissionária aqui e faz 20 anos que reclamo. Mas nunca adiantou nada. A gente chama à imprensa, eles (o poder público) fazem encenação e depois esquecem de nós de novo, afirmou a cabeleireira Rosângela Maria dos Santos, 48 anos, que teve seu salão alagado mais uma vez. De acordo com a cabeleireira, o problema é que o prédio tem o telhado reto. Qualquer pedreiro sabe que precisa ter uma caída, senão as calhas não aguentam mesmo, disse. Segundo ela, a caixa de passagem para a água da chuva, instalada no corredor do prédio, em frente à porta de sua sala, também foi feita errada. É pequena e não aguenta uma chuva mais forte. Quando dá uma chuvarada destas, isto daqui jorra que parece uma fonte, disse. Por toda a cidade houve muito trabalho para retirar lama de várias avenidas e ruas. Ontem de manhã, uma das pistas da Avenida Adhemar de Barros, no Jardim Bela Suíça (zona sul), na altura do número 350, ainda estava tomada pelo barro. Na Avenida 10 de Dezembro, na altura do Parque Arthur Thomas, equipes da Companhia Municipal de Urbanização de Londrina (Comurb) passaram a manhã fazendo a limpeza das pistas. Na mesma avenida, na área de acesso à BR-369, foi a vez de uma equipe da Econorte retirar dois caminhões de lama do local.





