Muito barro, lama e sujeira. Nos bairros mais carentes de Londrina, os moradores reclamam dos estragos causados pelas chuvas que já duram quatro dias. Em alguns locais, as poças são tão grandes que os pedestres não conseguem atravessar a rua. O maior problema são as vias sem asfalto que acumulam poças e muito barro.
No assentamento Monte Cristo (zona leste), os moradores tentam diminuir o sacrifício de caminhar na lama. Adair Oliveira da Silva, operário da construção civil, ficou em casa ontem para cavar valas na rua onde mora. ‘‘Se a gente não fizer isso vira um rio no meio da rua’’, explicou. Valter Martins, dono de um bar e de uma padaria no mesmo bairro, conta que há pouco mais de um mês pagou do bolso o moledamento da rua. ‘‘Gastei R$ 120,00 para trazer uma caçamba com moledo aqui. Melhora um pouco, mas não resolve’’.
Por causa das chuvas, as crianças do bairro não foram à aula. Elas teriam que enfrentar uma caminhada de dois mil metros através de muito barro até a escola mais próxima, que fica no bairro vizinho.
O presidente dos 18 assentamentos da região leste, João Kennedy, diz que o asfalto é prioridade. Só no Monte Cristo, o maior deles, moram 980 famílias. Kennedy diz que os moradores enfrentam muito preconceito por causo do barro. ‘‘Pra qualquer lugar que a gente vai, com esta chuva, chegamos sempre enlameados e sujos. É difícil pedir emprego ou chegar no trabalho desse jeito’’.
O ônibus não passa no local, que ainda não está regularizado. Ninguém tem endereço porque as ruas não têm nome e as casas não têm número. O Monte Cristo começou com uma invasão, há seis anos, e depois foi transformado em assentamento. Com o processo de legalização em andamento, os moradores têm esperança de conseguir o asfalto até o ano que vem.
O clima trouxe prejuízo também para o dono de um posto de combustíveis em Cambé. O Posto Pirâmide II, na Rodovia Celso Garcia Cid, amanheceu alagado ontem. A água era tanta que nenhum veículo parou para abastecer durante toda a manhã. O proprietário, Luiz Razaboni, estava desolado. Ele inaugurou o posto no sábado e ontem só contabilizava os danos: ‘‘ Vou deixar de vender 4 mil litros de combustível por dia, um prejuízo de 6 a 7 mil reais’’. No meio da manhã, a prefeitura mandou uma escavadeira cavar uma valeta para tentar escoar parte da água. (Leia mais sobre chuva no Paraná na página 5)

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