Se coibir o desperdício de água já é um desafio, promover o seu uso racional é ainda mais complicado. Para o ambientalista João das Águas, o londrinense deveria aproveitar mais a água da chuva, recurso bastante utilizado na região Nordeste, mas que por aqui ainda encontra certa resistência. Ainda são poucos os prédios, casas e estabelecimentos que dispõem de uma estrutura para captar a água da chuva, mas quem tem só vê vantagens.
A bióloga Herana Fadel Marques, por exemplo, viu o consumo mensal de água cair para menos da metade depois que implementou um sistema de captação e tratamento desenvolvido em conjunto por ela, o marido, que é professor de química, e um amigo engenheiro. Além da água da chuva, a família de Herana reaproveita também a da piscina para lavar carros, quintal, canil, calçada e regar as plantas e o pomar. ''Jogávamos fora a água da piscina, e ver isso me cortava o coração. Eu sou bióloga, ele é químico; o mínimo que poderíamos fazer é dar o exemplo'', justifica.
Assim, inicialmente o casal inventou um sistema de retroalimentação para reaproveitar a água da piscina, usando duas caixas d'água de 2 mil litros. ''Então, aproveitamos para captar a chuva também, com outra caixa de 4 mil litros'', explica Herana. A água da piscina passa por uma decantação e tratamento, e pode até retornar. Já a chuva que cai no telhado é escoada por calhas, passa por um encanamento escondido sob o piso até chegar ao tanque, onde também recebe tratamento.
Ao todo, foram investidos R$ 2 mil no sistema. ''Mas o investimento já se pagou. Nem só pelo dinheiro, mas principalmente por sabermos que estamos fazendo a coisa certa'', comenta. Como a residência fica em um bairro sem sistema de esgoto, a conta d'água da família hoje é de R$ 16,35 por mês.
O exemplo tem refletido positivamente não só em casa, onde os filhos do casal evitam desperdiçar água e energia elétrica, mas também na escola em que o marido trabalha e até no bairro. ''Os alunos dele sabem que temos esse sistema, e querem vir conhecer. Também um vizinho já fez um trabalho na faculdade sobre a nossa estrutura de captação'', revela. Pena que a dor na consciência que Herana diz sentir ao ver o desperdício de água não seja compartilhada por todos. (A.I.)

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