A véspera de feriado foi de muito trabalho para o pedreiro Hilton Félix Dão, morador do Jardim Belleville, na Zona Norte de Londrina. Dispensado pelo patrão, ele aproveitou o tempo livre para reconstruir o muro de arrimo nos fundos da casa dele, derrubado pela chuva do fim de semana passado. A enxurrada trouxe prejuízos para a vizinhança, que aponta o descarte irregular de material de construção, que vai parar nos bueiros, como uma das principais causas das enxurradas e inundações.
A estimativa de Dão é que o prejuízo gire em torno de R$ 2.500,00, sem contar o valor da própria mão-de-obra. A alternativa agora é construir um muro ainda mais reforçado para evitar novas enchentes. ''Quando a água entrou eu estava num encontro na Igreja. Vim correndo, mas não tinha mais jeito. Depois tiramos duas caçambas, carregadas com a pá, de terra de dentro de casa e do quintal'', relata.
O grande número de bocas-de-lobo com as tampas de concreto quebradas e repletas de material de construção arrastado pelas chuvas é, segundo os moradores, o que provoca as enxurradas que castigam o Belleville e o vizinho Jardim Tropical. O aclive acentuado também preocupa, em especial quem vive nas baixadas próximas ao Ribeirão Lindóia.
O pedreiro desempregado Maicon Cardoso Moreira, 23, conta que está perdendo a guerra contra as enxurradas. Uma mureta de proteção construída no meio-fio não foi suficiente para conter a força da água. O resultado: um prejuízo incalculável para a família dele. Cama, sofá e edredom estragaram quando a casa foi invadida pela chuva.
A despesa maior será para reconstruir uma dependência construída recentemente nos fundos da casa. O imóvel erguido para ser alugado e reforçar o orçamento familiar sucumbiu à chuva e implicou num prejuízo de aproximadamente R$ 1 mil. ''Mais uma chuva e essas paredes que ainda estão em pé vão para o chão'', prevê Moreira.
Outra vítima da ira de São Pedro foi o padeiro Amarildo Novaes dos Santos, 28, morador das redondezas. Ele foi surpreendido por um forte estrondo enquanto assistia TV. A grade e o muro da frente da casa dele simplesmente vieram abaixo. Ninguém ficou ferido, mas a família não conseguiu evitar que a enxurrada tomasse conta do imóvel.
A agilidade para erguer os móveis e colocá-los num lugar seguro foi essencial para que o prejuízo não fosse ainda maior. Agora, será necessário juntar dinheiro para fazer o conserto da casa, que Santos comprou há apenas cinco meses. Tempo curto, mas suficiente para provocar ''muito arrependimento.'' ''Se tivesse mais um bueiro na rua de cima não vinha tanta água assim'', reivindica.
E o estado das bocas-de-lobo dos bairros da região realmente deixam a desejar. O mato que toma conta dos terrenos baldios está brotando até dentro dos bueiros. O autônomo Miguel Lemes Gonçalves, 48, conta que já ligou algumas vezes na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para cobrar a roçagem dos lotes, mas o mato cresce numa velocidade muito maior do que eficiência da prestação do serviço pelo órgão público. ''Estamos esquecidos aqui'', lamenta.

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