Chuva desaloja e bairros ficam sem luz
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sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Dimitri do Valle 
O temporal que atingiu Curitiba na tarde de quinta-feira desalojou 344 pessoas, segundo a Defesa Civil. Os moradores foram abrigados em escolas e salões paroquiais de igrejas. O balanço constatou que 44 bairros da capital sofreram prejuízos nos 207 casos de alagamentos registrados. Não houve mortos.
Na Região Metropolitana, 215 habitantes de Campo Largo foram obrigados a desocupar suas casas por causa dos alagamentos. Em São José dos Pinhais, 60 pessoas ficaram desabrigadas.
Conforme o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), a média pluviométrica prevista para agosto era de 71 milímetros. Mas as chuvas torrenciais, desde a noite de quarta-feira até a noite de quinta-feira, extrapolaram a estimativa e atingiram 104 milímetros. A previsão para hoje era de que o tempo continuasse ruim, com risco de mais chuvas.
Segundo a Copel, 25 mil consumidores de Curitiba ficaram sem energia elétrica no final da tarde de quinta-feira por causa do temporal. A chuva forte também deixou 400 telefones mudos na região do Boa Vista e no Centro Politécnico. O restabelecimento das linhas estava previsto para as 20 horas de ontem.
Das nove ocorrências de desabamento de casas em Curitiba, pelo menos quatro ocorreram na Vila Asa Branca, no bairro Atuba. A destruição foi provocada pela tubulação de um loteamento que está sendo aberto ao lado da vila. O escoamento das águas está apontado diretamente para as casas da vila, localizada numa região de baixada. Os moradores reclamaram que após a construção do loteamento, há seis meses, é que os problemas com enxurradas começaram.
O primeiro a sentir os efeitos da tubulação irregular do loteamento foi o gesseiro Manoel Cícero dos Santos, 32 anos. Os tubos estão direcionados a poucos metros da parede de seu quarto. A força das águas derrubou a parede de concreto, colocou abaixo um muro de tijolos que dividia a propriedade com a do vizinho, o pedreiro Manoel Pinto Romeiro, 44 anos, e avançou por outras casas, num verdadeiro efeito dominó que destruiu muros e paredes.
Perdi tudo. Tinha acabado de pagar a prestação do meu terreno esta semana, lamentou Santos. O operador de máquinas Luiz Alcione da Silva, 24 anos, também sentiu a fúria das águas. A enxurrada derrubou um muro que delimita seu terreno, a lama invadiu a casa e os entulhos só começaram a ser retirados depois que Silva abriu um buraco na parede da cozinha para escoar a água. Ele perdeu os móveis, que foram queimados em frente à casa, ontem à tarde.
O presidente da Associação de Moradores e Amigos da Vila Asa Branca, Gerônimo Gomes Mendes, disse que os representantes da Administração Regional da Boa Vista já tinham sido comunicados da existência da tubulação irregular, sem que nenhuma providência fosse tomada.


