Ney de SouzaAs fortes chuvas que caíram em Foz do Iguaçu desde o final de semana alagaram vários bairros e deixaram pelo menos 80 famílias desabrigadas. O caso mais grave, segundo o diretor de Operações da Defesa Civil, Cezar Renato Zelinski, foi registrado no Jardim Morenitas 2, um loteamento clandestino invadido em fevereiro deste ano e que fica sobre um lençol freático.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, não houve ocorrências graves. A corporação trabalhou em casos de destelhamento, desentupimentos de galerias de águas pluviais e cortes de árvores que foram derrubadas com a força do vento. De acordo com o Pronto Atendimento Médico (PAM), o número de consultas a crianças cresceu 20% por causa das chuvas. A maioria dos pacientes veio de áreas alagadas.
Das quase mil residências do bairro, pelo menos 600 casas, segundo os moradores, ficaram alagadas. Até o início da tarde, 60 famílias de desabrigados foram levadas para o Centro de Apoio Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), do bairro Morumbi. Outras 20 famílias, segundo a Defesa Civil, foram abrigadas em casas de amigos e parentes.
A situação fez os moradores da Vila Morenitas protestar. Eles fecharam a Avenida Morenitas, principal via de acesso da zona sul da cidade a Aduana Argentina. Eles protestavam contra o descaso da prefeitura. Os moradores estavam dispostos encerrar a interdição somente depois que o prefeito Harry Daijó (PPB) visitasse o local. A assessoria do prefeito disse que ele não visitaria a área porque estava viajando.

Celso Margraf‘‘Isso é só uma consequência. A prefeitura fez uma série de gambiarras com encanamentos e toda a água da chuva coletada nas proximidades acaba caindo no Jardim Morenitas 2, que é a área mais baixa da região’’, analisa o vereador Dilto Vitorassi (PT), que tentava negociar a liberação da avenida. ‘‘Essa é a segunda vez que perco tudo que tenho por causa da enchente’’, lamentava a dona de casa, Edina Maria Cardoso.
Uma das famílias mais prejudicadas é a do servente de pedreiro, José Agripino. Sem casas de parentes para levar a mulher e os filhos, ele amarrou as camas nos caibros que sustentam a casa. ‘‘Assim vamos passar a noite’’.
No final da tarde, o diretor do Departamento Rodoviário Municipal, Sérgio Mezzomo, informou que a prefeitura iniciaria ainda ontem o desentupimento de manilhas e drenagem no local. Mezzomo reconheceu que o trabalho é paliativo e que será necessário um amplo estudo para resolver o problema do bairro.
De acordo com a Itaipu Binacional, o nível do reservatório está normal e apenas um vertedouro, por onde passa o excesso de água, está funcionando. No entanto, o Rio Iguaçu estava quase cinco vezes acima do nível normal. A vazão pulou de 1.200 metros cúbicos por segundo, o que seria normal nesta época do ano, para 6.400 metros cúbicos.
A previsão do Sistema Meteorológico do Paraná para hoje é de mais chuvas na região.

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