Chuva deixa moradores de invasão ilhados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de janeiro de 2003
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
A chuva constante está criando situações insustentáveis em alguns locais da cidade. Os que mais sofrem são os que moram nas ocupações irregulares, sem infra-estrutura básica como asfalto e rede de esgoto. No Novo Amparo 2 (zona leste), as 65 famílias estão praticamente ilhadas. Se em tempos secos é difícil entrar de automóvel nas vias cheias de altos e baixos, com tanta chuva é impossível. Além do barro, há inúmeras crateras causadas pela enxurrada.
''Se alguém ficar doente aqui só sai carregado, porque socorro não entra'', diz Luís Rodrigues da Silva, dono de um pequeno bar instalado logo na entrada da invasão. Segundo ele, na hora da chuva forte as enxurradas chegam a meio metro de altura.
Os moradores que dependem de automóvel para trabalhar estão tendo prejuízos, como o pintor de paredes Adélio Pires Santiago. Ele conta que tem serviço para terminar, mas a pé não tem como carregar os andaimes e outros apetrechos. Santiago teve ainda que pedir para a esposa ir com os filhos pequenos para a casa do sogro, que mora numa fazenda. ''As crianças têm bronquite, e aqui dentro está tudo molhado'', afirma.
Na casa vizinha o problema é o mesmo. Ontem à tarde o desempregado Paulo Sérgio Brandão Sobrinho tentava, sob chuva, fazer uma valeta ao lado da residência para desviar o curso da água, que ameaçava, mais uma vez, entrar na cozinha e quartos. Em muitas casas, as mães já não sabem mais o que vestir nas crianças. ''Hoje (ontem) à tarde, quando meus filhos menores chegarem da creche, não vai mais ter roupa seca para eles. O acolchoado que minha menina dorme, no chão, também está todo molhado'', conta Vilma Santos Costa, que vive com o marido desempregado e os oito filhos na pequena casa. O chão em que a filha Jessica, de 12 anos, dorme não tem piso.
A grande quantidade de água que toma conta do lugar na hora da chuva forte contrasta com uma das grandes dificuldades. Ali as famílias só contam com dois reservatórios de mil litros de água tratada, cedidos por uma empresa de transportes vizinha. Essa água é utilizada para beber e cozinhar. Se alguém desperdiçar, não sobra para o vizinho. Banhos e lavagem de roupas só com a água que sobra nos baldes ou da chuva.
Segundo o presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, o Novo Amparo 2 tem sido motivo de preocupação por parte da atual administração. Um dos temores é em relação aos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, já que os moradores costumam estocar água em baldes.
''A Cohab pretende regularizar a situação dentro dos próximos meses. O terreno lá é da Cohab, e nós estamos firmando uma parceria com a Copel e Sanepar para instalação de água e luz'', informa Afonseca e Silva. Como não há condições de instalação de fossas na região, a rede de esgoto também deverá ser instalada.


