Chuva de meteoros gera expectativas
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
Osmani Costa 
O astrônomo José Manuel Luís da Silva, diretor do Observatório Astronômico e Planetário do Colégio Estadual do Paraná, considera que é um grande azar estar esta semana no hemisfério Sul. O motivo é que desde o dia 14 vem acontecendo a mais bela chuva de meteoros dos últimos 33 anos. Por hora, quem vive na região Norte da Terra está vendo nas noites mais de 10 mil estrelas cadentes cruzando pelo espaço. Infelizmente, abaixo do Equador, só se poderá ver o fenômeno a partir das 4h30 até perto do alvorecer, por isso pouco será aproveitado, diz.
MistériosChuvas de meteoros nas dimensões das Leônidas, previstas para hoje e amanhã, são registradas desde a antiguidade e despertaram interesse, medo e inspiraram diversas superstições. As mais antigas menções históricas do fenômeno datam do ano 902 d.c.Silva diz que as chuvas de meteoros são um fenômeno comum, que acontece a todo ano. Mas nesta dimensão é raro, por isso fascina pela possibilidade de estudos astronômicos como pela beleza, comenta o diretor do observatório. O físico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Germano Bruno Afonso, conta que o fenômento é causado pelo encontro terra com resíduos da poeira deixada pelos cometas Tempel e Tuttle. Pequenas partículas se descolam do rabo do comenta e ficam vagam pela espaço, quando atingem a órbita da terra, elas incendeiam, formando as chamadas estrelas cadentes, explica.
Esta nuvem é batizada de Leônidas, porque aparentemente é procedente da constelação de Leo.
Nesta época do ano, esta constelação aparece no alvorecer no hemisfério Sul, diz. O fenômeno dura das três da manhã tendo o seu auge no meio da tarde, às 17 horas. Por isso, terá maior visibilidade em países, como Tailândia, Filipinas, Japão, China, entre outros da região, comenta Afonso.
O físico da UFPR informa que as chuvas de meteoros deverão afetar os satélites, principalmente os de telecomunicações. O tamanho de cada partícula não chega a uma cabeça de alfinete. No entanto, o diretor do observatório, José Luiz da Silva, diz que os satélites artificiais tiveram suas órbitas alteradas, subindo alguns milhares de metros da região da chuva. Esse fenômeno não afeta ninguém, em especial que está na Terra, afirma. Silva explica que quem quiser aproveitar um pouco do espetáculo, basta virar para o leste e olhar para a constelação de Leão. Se olhar com binóculo poderá aproveitar melhor, Germano Afonso.
Em Londrina, integrantes do Centro de Estudos Astronômicos (Ceal) estão animados com a rara possibilidade de concretizar, da noite de hoje para amanhã, um antigo sonho que se renova a cada 33 anos: a visualização, a olho nu, da espetacular chuva de meteoros.
O estudante e astrônomo amador Miguel Fernando Moreno, membro do Ceal acredita que o espetáculo poderá ser visto também entre às 23 horas de hoje e às 4h30 de quarta. O clarão avermelhado que será observável é resultado da queima das partículas da poeira ao entrarem na atmosfera, comenta.
Caso o céu não esteja nublado, o espetáculo será muito bonito. O astrônomo acredita que ele será visível em todo o Paraná, bem como em todo o Brasil. É só olhar para as estrelas Três Marias, que estarão bem no topo do céu, e delas para a direção leste, afirma Miguel Moreno.
Não há qualquer risco para a saúde das pessoas. E o uso de um instrumento de longo alcance normalmente restringe o raio da visão. Neste caso específico, o melhor é olhar a olho nu, para se conseguir ver muitos meteoros ao mesmo tempo, garante o integrante do Ceal, que é presidido por Marcelo Firoguem. Miguel lembra também que a visualização do espetáculo será melhor na zona rural, com todas as luzes artificiais apagadas.
O cometa Tempel Tuttle, cuja passagem nas proximidades da Terra assusta os homens desde antes de Cristo, foi identificado e catalogado em 1799 pelo naturalista e explorador alemão Friedrich Alexander Humboeldt. Na oportunidade, ele estava em viagem de estudos na Venezuela. Segundo os astrônomos, a chuva provocada pelas Leônidas este ano será espetacular. Prevejo uma tempestade de 200 a cinco mil meteoros por hora este ano, afirmou Donald Yeomans, do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, em Pasadena (Califórnia).
Uma bela tempestade, mas nada comparada ao que tivemos em 1966, quando caíram mais de cem mil meteoros por hora, afirmou o especialista.
Apesar do interesse, as Leônidas tiram o sono dos proprietários de satélites. Este espetáculo que não apresenta riscos atrai atualmente apenas curiosos e astrônomos. No entanto, as Leônidas 1998 e sua réplica de 1999, estão sendo esperadas com receio, pois esta será a primeira tempestade espacial sofrida pelos 500 satélites que giram ao redor da Terra.
Esta chuva é a maior ameaça enfrentada por nossa constelação de satélites, afirmou William Ailor, da Aerospace Corporation. A probabilidade de que uma destas partículas atinja um satélite é pequena, mas existe, garantiu.
As gotas desta chuva não são maiores que um grão de areia, mas caem na atmosfera a uma velocidade de 71 km por segundo. A esta velocidade, não sabemos quais poderiam ser os efeitos de uma colisão, considerou Ailor.
Mas, a ameaça mais séria não é essa. Quando uma destas minúsculas partículas atinge um objeto, cria uma nuvem de elementos eletricamente carregados (...) que pode penetrar o interior de um aparelho e causar muitos danos, continuou o astrônomo. Esta possibilidade, muito real, foi a responsável pela avaria em 1986 da sonda européia Giotto, atingida por um detrito do cometa Halley.
Há semanas, os operadores de satélites do mundo inteiro estão em pé de guerra. Como não possuem um guarda-chuvas gigante, a maior parte das redes particulares, como a Intelsat, modificaram seus aparelhos para que seus painéis solares, muito vulneráveis, estejam orientados no sentido da chuva. (Com France Presse)


