A chuva que caiu durante quase todo o dia de ontem provocou atoleiros, alagou empresas e atrasou compromissos, irritando a população londrinense. Um dos maiores problemas foi registrado na avenida Faria Lima, via que liga o centro à Universidade Estadual de Londrina (UEL), na zona oeste.
  Cerca de 300 metros da avenida está interditada há duas semanas por uma empresa terceirizada que está duplicando a pista. Para manter o tráfego no local, um desvio de terra foi montado à esquerda do trecho. Com as chuvas da manhã, a poeira virou lama e o primeiro veículo a ficar atolado foi uma caminhonete de Curitiba. ‘‘A gente vem de outra cidade, não encontra sinalização e acaba enfrentando isso. É uma péssima recepção para quem é de fora’’, criticou o industrial Adriano Fliscoski, 38 anos.
  Um ônibus coletivo que fazia a linha 305 (Centro-Campus) foi o segundo a encalhar no lamaçal, atrapalhando a vida dos estudantes. ‘‘Tinha um seminário com uma especialista de fora. Era a única aula que ela ia dar e eu perdi’’, lamentou Petrícia Okubo, 19, aluna do 1º ano de enfermagem. ‘‘Tínhamos uma assembléia marcada para às nove horas e estamos aqui. Alguém poderia ter interditado a pista e trocar o trajeto’’, comentou o estudante de história Lauro Alves Leite, 25.
  O desencalhe dos veículos aconteceu somente com a chegada de um caminhão guincho. Mesmo assim, a confusão continuou na segunda via de acesso ao campus. Por volta do meio-dia, a Avenida Castelo Branco (que ainda não teve a duplicação terminada) ficou com o tráfego intenso devido à saída dos universitários do período matutino. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) colocou equipes para controlar o movimento de carros e alertar sobre os problemas na Faria Lima. O gerente de fiscalização de Trânsito da CMTU, Álvaro Grotti, estava ontem em Curitiba, mas a assessoria de comunicação informou que vai manter agentes coordenando o desvio do tráfego até o moledamento do trecho, previsto para a próxima semana.
  O Mercado Shangri-lá, na zona oeste, considerado um dos pontos turísticos da cidade, também não escapou do temporal que caiu durante toda a manhã de ontem. Além de goteiras, parte dos corredores ficou alagada, irritando comerciantes e compradores. Segundo os donos de boxes do mercado, que pertence à prefeitura de Londrina, as chuvas apenas colocam em evidência um problema antigo. ‘‘As pequenas reformas nós fazemos, mas as grandes obras precisam ser feitas pela prefeitura. Já conversamos com o pessoal da CMTU sobre a infiltração, mas eles alegam não ter dinheiro para as obras’’, criticou o comerciante Márcio Antonio Quinteiro, 42. Ele trabalha no local há mais de 15 anos e paga R$ 450,00 para manter três boxes.
  Segundo informações da CMTU, o custo total da obra – estimado em cerca de R$ 300 mil, segundo os comerciantes – seria muito elevado para os cofres públicos. ‘‘Mesmo assim gostaríamos de receber esta proposta por escrito, para que os técnicos da CMTU façam uma análise’’, disse a diretora de Operações e Transporte da CMTU, Rosemeire Suzuki Lima, responsável pelos prédios públicos da cidade.
  O Mercado Guanabara, localizado na Avenida Higienópolis (zona sul), também registrou problemas de infiltração, mas uma equipe da CMTU foi até o local para fazer uma vistoria. ‘‘Se o problema for pequeno, nosso próprio pessoal deverá resolvê-lo’’, comentou Rosemeire.

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