Chuva causa uma morte em Londrina
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terça-feira, 10 de outubro de 2000
Alexandre Sanches e Silvana Leão De Londrina 
Uma pessoa morreu em Londrina durante a forte chuva que caiu em várias regiões do Estado, na madrugada de ontem. O operador de empilhadeiras Juvenal Castanhar morreu por volta das 4h30, ao perder o controle da sua Parati ano 1985, placas CEF 0100 de Londrina, e bater contra uma árvore na Avenida Winston Churchill (zona norte). O veículo deve ter aquaplanado na pista.
Segundo informações da polícia, Castanhar estava indo trabalhar numa indústria de fiação de seda, acompanhado da vizinha Patrícia Subitil da Silva, 19 anos, também funcionária da empresa. Ela foi internada na Santa Casa de Londrina. De acordo com a assessoria de imprensa, Patrícia teve trauma no abdômen e passou por uma cirurgia para conter uma hemorragia. Ela continua internada e o estado dela é considerado regular.
Os ventos de até 60 km/h deixaram muita sujeira e galhos de árvores nas ruas da cidade. De acordo com o Corpo de Bombeiros, não foram registrados destelhamentos. Na área central da cidade, nove das 12 barracas da feira da agroindústria foram totalmente destruídas pelo vento. Ontem de manhã, os feirantes tentavam reconstruir a estrutura metálica e recuperar as lonas. Por sorte o vento forte foi de madrugada. Se isso acontece durante o dia, muita gente teria se machucado, comentou o agricultor Dirceu Maciel Andrade, 59 anos.
Chuva é sempre um grande transtorno para o técnico em eletrônica Donizete Pereira dos Santos, de 27 anos, e sua mãe, Olívia Ribeira Pereira, de 69 anos. Eles moram em uma pequena casa no, Jardim Universitário (zona oeste). Há três anos convivem com a água empoçada na frente da residência. Quando a chuva é forte, a enxurrada invade tudo, causando prejuízos e problemas de saúde aos moradores.
A esperança da família era a pavimentação asfáltica, feita há 20 dias, mas uma elevação de nível no fim da rua impede que a água escoe. O técnico acha que a solução seria refazer o asfalto, tirando o desnível.
Porém, segundo Santos, técnicos da empresa responsável pela pavimentação argumentaram que o asfalto acompanha o meio-fio (feito há 22 anos), e que não há como refazê-lo. Ontem a Folha não conseguiu localizar a empresa responsável pela obra.
O mau tempo causou destelhamentos em Cascavel e outras cidades do Oeste e Sudoeste. O sistema de controle de vôos do Aeroporto de Cascavel registrou, às 21h30, rajadas de ventos com velocidade próxima a 140 quilômetros horários. Até as 8 horas de ontem as chuvas haviam atingido 40 milímetros, segundo o posto de observação da cooperativa Coopavel.
O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil receberam mais de 100 pedidos de telhas e lonas plásticas. No bairro Jardim Araucária (zona norte), a menina Débora Campos Pacheco foi atingida na cabeça por uma das 14 telhas de amianto arrancadas da casa onde mora com seus pais, Márcia Nascimento, 16 anos, e o operário braçal Claudinei Pacheco, 22 anos. Débora foi medicada e liberada.
Segundo o tenente Augusto Santa Rosa, do Corpo de Bombeiros, não há desabrigados. A corporação mantinha ontem todo o seu pessoal mobilizado porque havia a previsão para a noite de mais ventos fortes e chuvas. Na região, houve estragos menores em Palotina, Toledo, Assis Chateaubriand, Foz do Iguaçu e Pato Branco.
De acordo com o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), César Duquia, a chuva e ventos fortes foram provocados pela entrada de uma frente fria na região Sul do País. As altas temperaturas que tomaram conta do Estado anteontem e a umidade do ar favoreceram a formação de vendaval e até tempestade, caso de Apucarana, onde o vento chegou a 91,4 km/h.
Da zero hora de ontem até o início da manhã, em Londrina, havia chovido 14,6 mm, índice considerado bom. Em Apucarana, em apenas uma hora, o índice foi de 25 mm, considerado alto e prejudicial, principalmente para a agricultura. A previsão para hoje é de instabilidade, com possibilidade de chuvas moderadas. (Colaborou Paulo Pegoraro, de Cascavel)


