Chuva castiga Novo Perobal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de junho de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Postos de visita da rede de esgoto entupidos. Água suja de excrementos jorrando pelas ruas cheias de barro. Buracos provocados pela erosão, onde crianças e adultos são obrigados a transitar.
Essa é a realidade vivida pelos moradores no conjunto Novo Perobal (zona sul), que foi criado há 13 anos como assentamento. Basta chover um pouco que a gente é obrigada a passar por isso. Às vezes chegamos a ficar dias enfrentando o mau cheiro, com o risco de ver nossas crianças adoecerem por causa do esgoto que corre a céu aberto, diz o pedreiro aposentado Davi Ferreira Ribeiro.
Como a maioria dos pais trabalha fora, Davi fica cuidando das crianças para evitar que elas brinquem na água contaminada. Eu estou aposentado e não custa dar uma ajuda. Mas a Prefeitura precisa resolver o problema.
Ontem à tarde, moradores se reuniram na rua 4 do bairro para ver os funcionários da Sanepar desentupirem mais um posto de visita. Na parte da manhã, eles já tinham consertado dois e ainda faltavam cinco. O servente Luiz Carlos Rezende, 37 anos, mora há 12 anos no bairro e atribui os problemas à falta de pavimentação. Enquanto não chegar o asfalto, a gente vai continuar tendo problemas e a Sanepar vai precisar vir desentupir as bocas.
As ruas do bairro ficam em declives acentuados e o moledamento não resiste às chuvas mais brandas. A água da chuva se junta no bairro, que fica praticamente no fundo de uma depressão. A enxurrada leva terra, pedras e galhos para dentro dos postos de visitas da rede de esgoto. Segundo os moradores, o problema se agrava ainda mais com a ação dos tratores da Prefeitura, que acabam destampando as entradas dos postos de visita, quando passam pelas ruas na tentativa de combater a erosão.
O asfalto é uma briga antiga. Mas os políticos só aparecem por aqui na época de campanha. Prometem e depois desaparecem, reclama o pintor Gabriel Alves Monteiro Filho. Ele observa que a maioria dos moradores do bairro paga Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e tem direito às melhorias reivindicadas. O pedreiro Aparecido Rodrigues dos Santos, 37 anos, morador da rua 1, quadra 7, também reclama da situação. Um posto de visita da rede de esgoto, em frente a sua casa, está entupido há dois meses, sem solução.
O secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, adianta que, a curto prazo, a Prefeitura não poderá realizar o asfaltamento das ruas do Novo Perobal. Estamos trabalhando para conseguir recursos mas, por enquanto, não garantimos nada. Os moradores vão ter que aceitar medidas paliativas, disse. Segundo ele, ontem de manhã uma comissão de moradores do Jardim Franciscato e Novo Perobal esteve conversando com o prefeito Antonio Belinati e foi informada da situação da Prefeitura.
Os dois bairros enfrentam a mesma situação de outros 21 conjuntos, assentamentos e loteamentos irregulares da Cidade. A maioria foi entregue sem asfalto e infra-estrutura. O secretário estima que seriam necessários cerca de R$ 200 mil para asfaltar as ruas do Novo Perobal. Podemos prometer apenas que, quando o tempo melhorar, vamos refazer o meio-fio e repor a terra que a chuva levou, aumentando o desnível entre a guia e as casas. Vamos também insistir no moledamento das ruas.
Righi ressaltou que não tem conhecimento de que os tratores da Prefeitura estariam provocando o deslocamento das tampas dos postos de visita da rede de esgoto. É difícil aceitar essa explicação, porque os tratoristas perceberiam o problema e eu teria sido comunicado. Mas o secretário prometeu averiguar a reclamação dos moradores e, comprovado o fato, tomar providências para evitar o problema.


