O trabalho de remoção das 1,2 mil toneladas do lixo tóxico de Tamarana (62 km ao sul de Londrina) deverá ser concluído somente no final de fevereiro. Segundo o secretário do Meio Ambiente do município, Hélio Brás Ferreira, até agora só foram retiradas do local cerca de 700 toneladas do produto. As chuvas que caíram na região nos últimos meses foram as responsáveis pelo atraso no cumprimento do tempo previsto inicialmente, que era até o final de dezembro de 1998.
O secretário informou que as chuvas danificaram a estrada de acesso ao local e impediram o tráfego dos caminhões da empresa WPA Engenharia, responsável pela embalagem e transporte do produto até o incinerador da Bayer do Brasil, em Belford Roxo (RJ). Além disso, em 20 de dezembro a empresa entrou em férias coletivas e só retomou os trabalhos no último dia 4.
Hélio Brás acrescenta que ainda em dezembro o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) colocou moledo na estrada e agora os caminhões podem trafegar normalmente, mesmo em dias de chuva. O problema, no entanto, é na hora de carregar os caminhões: como o local é aberto, quando chove o trabalho não pode ser realizado.
O depósito do lixo tóxico em Tamarana - em prédios inacabados que deveriam abrigar uma Colônia Penal Agrícola - começou a ser utilizado em 1987. No local, foram sendo guardados BHC, DDT, Aldryn e outras marcas de agrotóxicos clorados que tiveram sua produção e uso proibidos a partir de 1985 porque eram nocivos à saúde humana, animal e ao meio ambiente.
Depois de 11 anos, a incineração foi a solução encontrada a partir de uma negociação, mediada pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, entre o Governo do Paraná, a Prefeitura de Tamarana e o sindicato nacional das indústrias produtoras de agrotóxicos. A indústria Bayer venceu concorrência pública para fazer a remoção. O valor do contrato foi de R$ 2,4 milhões (70% pagos pelo Governo do Paraná e 30% pelo sindicato nacional das indústrias que fabricam agrotóxicos).

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