Uma semana depois do vazamento de 4 milhões de litros óleo bruto da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, o trabalho de despoluição pode estar ameaçado por causa da chuva. Desde da noite de sexta-feira, está chovendo na várzea onde estão acumulados dois milhões de litros de petróleo. A área fica dentro da Repar e é conhecida como ponto zero. A reportagem da Folha esteve no local (que é vetado a imprensa) e constatou que é precário o trabalho de limpeza, sendo feito com baldes e tábuas.
Apesar desse cenário, a Petrobras garantiu ontem que não há risco desse combustível voltar ao leito dos rios. No manancial do Iguaçu, foram reforçadas as barreiras. No entanto, ontem, o ministro da Ecologia da Argentina, Miguel Angel Alterach, decretou estado de ‘‘emergência ecológica’’ na província de Misiones, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu.
‘‘Essa chuva preocupava antes mesmo de chegar’’, afirmou o assistente técnico da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), José Paulo Loureiro. O medo do ambientalista é que o petróleo vaze para os rios. ‘‘Também esse óleo retido às margens tende, com a subida do Rio Iguaçu, a invadir as lagoas de retenção, contaminando as cadeias alimentares de peixes moluscos e aves’’, disse Loureiro.
De acordo com a Petrobras, foram recolhidos 2,3 milhões de litros de óleo dos quase 4 milhões derramados. A empresa estima que o ponto zero tenha ainda 1,3 milhão de litros. Trabalhadores retiram o produto, que está sobre o solo e nos córregos. No local visitado pela Folha, cerca 60 operários recolhem o produto com canecas e baldes. Para evitar que o óleo desça pelos córregos, tábuas interrompem o curso das águas. Muito do combustível está misturado com o barro formado pela chuva.
Os operários se protegem usando botas e luvas de borrachas, além de um macacão de plástico. Nenhum deles usa máscara, apesar do cheiro ser forte no local. Ali eles não contam com a mesma tecnologia empregada nos rios, onde era despejado material absorvente. Até ontem, não havia sido usada a microbactéria que vai ‘‘comer’’ o petróleo.
O óleo recolhido é despejado em tambores levados em caminhões para uma área da Repar onde se reprocessa o produto. Ontem, as estradas de acesso aos locais poluídos estavam precárias. Seis caminhões ficaram atolados próximo da unidade de Araucária e também no distrito de Balsa Nova.
Quando a reportagem da Folha estava saindo da várzea, uma equipe de engenheiros do Instituto Ambiental do Paraná e da Petrobrás tentou barrar a saída do carro do jornal. Um engenheiro conhecido apenas como Ouriques parou na frente do veículo e depois queria que os repórteres ficassem esperando no local, até nova ordem. Como não foi atendido, ele deu um chute na traseira do carro. (Com material da agência AFP)

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