Chuva ameaça cidade cenográfica
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2003
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
A intenção de transformar a cidade cenográfica do filme ''Gaijin 2'' num ponto turístico de Londrina está, literalmente, indo por água abaixo. As chuvas fortes dos últimos meses estão destruindo as casas levantadas pela Scena Filmes Ltda. na fazenda Santa Helena. ''Fico triste com o que estou vendo'', afirmou Maria Helena Santos Godoy Tenório, herdeira do espólio de Olavo Godoy, que era proprietário do imóvel.
Ontem, quatro vereadores estiveram no local para conferir os estragos. A falta de telhas, a deterioração da madeira e o mato alto são os sinais mais evidentes do abandono. Maria Helena alega que a conservação e manutenção do cenário deveria ser dividida com a prefeitura, conforme rege o protocolo de intenções assinados por ambos lados. ''Já roçamos isso aqui por várias vezes, mas não vencemos o mato. Tudo o que recebemos da fazenda é usado para pagar dívidas'', justifica.
Em dezembro de 2001, o município criou uma lei que autorizou a abertura de um crédito adicional especial de R$ 400 mil para custear a hospedagem da equipe de produção e elenco do filme dirigido por Tizuka Yamasaki. Em troca, a cidade espera que a repercussão da obra traga, ao menos, visibilidade nacional. Isso, porém, deve demorar um pouco. Segundo Caio Júlio Cesário, membro do Conselho Municipal de Cultura, o filme deve ser lançado em Londrina no início de 2004 e ser exibido em rede nacional de televisão a partir de 2006. ''Acredito que cerca de 1,5 milhão de pessoas vejam este filme no Brasil''.
O cenário é composto de aproximadamente 70 casas de madeira que retratam Londrina nas décadas de 30 e 40. A maioria delas foi distribuída num espaço de 20 alqueires que antes eram ocupados pela soja. Para isso, os herdeiros dessa parte da fazenda quebraram o contrato com o arrendatário e perderam R$ 45 mil somente em soja. Eles sabiam que o material usado nas construções era, praticamente, reciclável, mas tinham a esperança que com o apoio da prefeitura a exploração turística do local compensaria o prejuízo. ''A chuva atrapalhou nossos planos'', resumiu Maria Helena. Segundo ela, aproximadamente 380 visitantes passaram pelo local e com o dinheiro do ingresso (R$ 3,00) pagaram metade do valor aplicado numa roçadeira manual.
A solução para o problema gerou controvérsias até mesmo dentro da Câmara. Enquanto o vereador Roberto Kanashiro (PSDB) defende a mobilização de forças em busca de recursos estaduais e federais para reconstruir o cenário, João Abussafi (PRTB), Rubens Canizares (PHS) e Orlando Bonilha (sem partido) afirmam que não vale a pena investir mais dinheiro. O secretário municipal do Planejamento, Marcos de Freitas, acompanhou a visita, mas não soube explicar a posição da prefeitura frente ao problema. Assim como Kanashiro, ele e Cesário querem que o local seja recuperado e incorporado ao patrimônio cultural de Londrina. ''O maior empecilho para isso é que as terras estão em litígio'', explicou Cesário.


