Chuva alaga 300 casas em oito bairros
Chuva alaga 300 casas em oito bairros
Bairros mais atingidos são o Morenitas 2 e o Jardim das Flores 2, na região sul, e o Jardim Alice 2, na região leste
Valmir Denardin
Ney de Souza
DramaO comerciante Manoel Machado dos Santos mostra alagamento na rua, que inundou
seu bar no Jardim das Flores 2Pelo menos 300 casas de oito bairros de Foz do Iguaçu ficaram alagadas em decorrência do transbordamento de córregos, entre a noite de anteontem e a manhã de ontem. Mas apenas 29 pessoas aceitaram deixar suas casas. Elas foram abrigadas no Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), no bairro Porto Meira (região sul da cidade).
Entre a manhã de quarta-feira e às 17 horas de ontem, a chuva atingiu 160 milímetros em Foz do Iguaçu. Segundo o Serviço de Meteorologia da Aeronáutica no aeroporto da cidade, essa quantidade é superior à chuva registrada durante todo o mês de janeiro: 123 milímetros. A chuva foi provocada por uma frente fria que se deslocou da Argentina sobre o Sul do Brasil. A previsão é de que o tempo melhore a partir de hoje.
Os três bairros mais atingidos foram o Morenitas 2 e o Jardim das Flores 2 (na região sul) e o Jardim Alice 2 (na região leste). Nesse último bairro, os moradores acusam a prefeitura de ter contribuído para agravar o represamento do córrego Ouro Verde.
Segundo o presidente da Associação de Moradores do Jardim Alice 2, Domingos Lopes Quintana, de 64 anos, as obras de canalização do córrego para a construção de um prolongamento da Avenida Javier Koebel provocaram a inundação.
Sérgio Mezzomo, diretor do Departamento Rodoviário Municipal (DRM), concorda que a obra da prefeitura contribuiu para o alagamento. Mas, segundo ele, isso era inevitável. O material estava ali porque a obra não está pronta. Ontem a prefeitura retirou os tubos de concreto do local para evitar novos alagamentos caso chova mais. Iniciadas há dois meses, as obras da avenida devem ser concluídas até o final de maio, de acordo com previsões de Mezzomo.
Resgate de barco O alagamento mais sério ocorreu no Jardim Alice 2, onde a água chegou a atingir até 1,5 metro nas casas mais próximas ao Rio Boicy, que corta o bairro. O Corpo de Bombeiros precisou resgatar algumas famílias de barco.
Foi o caso do desempregado Carlos Osni da Silva, de 36 anos, de sua mulher Neiva Ribeiro, também de 36, e dos quatro filhos do casal, com idades entre nove e 18 anos. Quando os bombeiros chegaram, à meia-noite, nós já estávamos em cima da mesa, contou Silva, que sofreu o quinto alagamento de sua casa apenas neste ano.
Manoel Machado dos Santos, de 51 anos, dono de um bar no Jardim das Flores 2, disse que sua família passou toda a noite suspendendo móveis sobre tijolos e pedaços de madeira para evitar que eles fossem atingidos pela água, que chegou a 20 centímetros.
No Morenitas 2 - uma área invadida -, Arnaldo Nunes, de 44 anos, também dono de bar, passou a noite, sob a chuva, limpando um bueiro para impedir que o lixo bloqueasse a passagem da água pelos tubos sob uma rua e invadisse sua casa.





