Problema crônicoErosão atinge principal nascente do Piava; água da chuva escorre para o leito do manancial carregando toneladas de terra; na foto inferior, o aposentado José Coutinho perto dos tubos para construção de galerias, obra paralisada desde 96

A chuva está agravando a erosão na cabeceira do rio Piava, o manancial que abastece Umuarama, reacendendo as discussões sobre a necessidade de executar obras de contenção do assoreamento e de controle da poluição do rio. A principal delas é a construção de galerias pluviais no Parque das Jaboticabeiras, cuja obra está paralisada desde 1996 por falta de recursos.
Nem mesmo a cobrança do Ministério Público consegue resolver o problema. Esta semana, o diretor de engenharia da Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Ricardo Augusto Cunha Snijtink, e o prefeito Fernando Scanavaca (PPB) visitaram o bairro.
Segundo o prefeito, o governo estadual prometeu destinar parte do financiamento que está pleiteando junto à Caixa Econômica Federal para terminar as galerias do Jaboticabeiras. O promotor Pedro Valter Torrezan enviou ofício ao presidente da Suderhsa, Nicolau Kluttel, pedindo informações sobre a obra. No ano passado a Suderhsa resolveu modificar a forma das lagoas de retenção - fazê-las arredondadas e não quadradas - para segurar melhor a enxurrada.
A obra é necessária para evitar que a água canalizada no bairro desça com força para as nascentes do Piava, arrastando toneladas de terra para o leito do rio. Na nascente do Córrego Jaborandi, a mais próxima do loteamento, várias voçorocas avançam em todas as direções. Algumas têm mais de um quilômetro de extensão e quatro metros de profundidade. As lagoas de retenção substituíram outro projeto - tubulações que despejariam a água em outra bacia - abandonado por apresentar custo elevado.
Prefeitura e a Suderhsa assinaram há cinco anos o convênio para a construção de 7 mil metros de galerias pluviais no Jaboticabeiras e três lagoas de retenção da água da chuva. Depois de muita pressão do promotor Pedro Valter Torrezan, a obra foi iniciada em 96. Mesmo assim, foram feitos apenas mil metros de tubulação, que hoje está lacrada e entupida. Parte dos tubos estão guardados há 3 anos no quintal do aposentado José Coutinho, 78 anos.
Os problemas de assoreamento e poluição do rio Piava começaram há 15 anos, quando a prefeitura loteou uma área na cabeceira da nascente, que não deveria ter sido ocupada. O bairro cresceu rápido e, sem obras de infra-estrutura, comprometeu a qualidade da água consumida, até então considerada uma das melhores do Estado. Até hoje, os moradores do Parque das Jaboticabeiras não têm escritura dos imóveis e muitas casas, construídas depois que a prefeitura proibiu a expansão do bairro, terão de ser removidas.
Embora o maior vilão seja a ocupação urbana, a falta de matas ciliares e conservação de solo nas propriedades da bacia também ajudam a degradar o Piava, único manancial em condições de fornecer água aos 60 mil moradores da cidade. Todas as propostas de solução esbarram na falta de dinheiro.
Por causa do excesso de areia no rio, a Sanepar é obrigada a fazer dragagem constante no reservatório da estação de captação para não comprometer o sistema. Todo mês, a estação retira quase 2 mil metros cúbicos de areia do reservatório. Quando chove muito, é preciso parar o sistema por algumas horas. A Sanepar tem reserva de água tratada para dois dias. Criticada por não investir na preservação do manancial, a Sanepar anunciou que vai construir rede de esgostos no Jaboticabeiras.

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