As chuvas registradas nos últimos dias na região de Londrina parecem ter resolvido o problema do baixo volume de água em alguns rios, principalmente naqueles utilizados para o abastecimento da população, como o Ribeirão Cafezal. A direção da Sanepar descartou ontem a chance de ocorrer um racionamento e a diminuição da distribuição de água, possibilidade ventilada há alguns dias em decorrência da longa estiagem, a maior dos últimos 30 anos, que atingiu toda a região Norte do Paraná. A empresa chegou a trabalhar com 90% de sua capacidade.
De acordo com o gerente de Receitas da Sanepar, Oscar Fernandes, os 46 milímetros de chuva registrados nos dois últimos dias foram suficientes para normalizar a vazão do Ribeirão Cafezal, de onde é captada 40% da água consumida pela população de Londrina e do município vizinho Cambé. O Rio Tibagi responde por outros 56% e os oito poços profundos existentes na região completam os 4% restantes.
Fernandes alertou, entretanto, que se ocorrer uma nova estiagem os problemas poderão retornar e uma redução no abastecimento não está descartada. Para que isso não ocorra, o gerente esclarece que as pessoas devem usar a água de forma mais racional evitando o desperdício e o consumo em atividades que não sejam essenciais, como lavar carros e calçadas. A Sanepar atende 600 mil pessoas na Região Metropolitana de Londrina.
Enquanto o problema do Cafezal parece estar resolvido, o mesmo não ocorre com o Ribeirão Cambezinho, cuja nascente está praticamente seca há quase dois meses. Segundo o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Patrulha das Águas, João Batista, também assessor do Núcleo de Recursos Hídricos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), nem as chuvas amenizaram o problema.
Para discutir o assunto haverá uma reunião, no próximo dia 11, com a participação de representantes da Universidade Estadual de Londrina, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Sanepar e da Sema. Batista adianta que será discutida a influência dos poços profundos no rebaixamento do lençol freático da nascente. Eles também avaliarão a possibilidade de duas represas próximas da nascente estarem causando prejuízos ao manancial.
O meteorologista do Sistema Meteorológico de Paraná (Simepar), Marco Antônio Rodrigues Jusevicius, explicou que seria importante chover entre 5 e 10 milímetros, a cada dois dias, para afastar definitivamente a possibilidade de falta de água. Conforme ele, as chuvas desta semana foram provocadas por áreas de instabilidade. Uma nova pancada deve ocorrer hoje, mas o final de semana deverá ser seco.

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