Chupeta, paninho e ursinho preferidos
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segunda-feira, 12 de março de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Quando a criança sente insegurança, medo, ansiedade e não tem condições de expressar a situação por ainda não dominar a fala, existe possibilidade de ela se apegar aos chamados objetos de transição. Geralmente um brinquedo ou um paninho ganham o título de ''preferido'' e transmite a sensação de proteção e segurança.
''Normalmente estes objetos aparecem na vida da criança quando ela começa a identificar o ambiente à sua volta e percebe que a mãe não está presente o tempo todo'', explicou a psicóloga Daniele Fioravante, de Londrina. Conforme ela, esses objetos dão um suporte emocional para que a criança consiga lidar com os sentimentos que não consegue expressar.
O apego maior aos objetos de transição acontece principalmente na hora em que a criança está mais fragilizada, geralmente quando quer dormir e está cansada. ''Buscar a 'companhia' do paninho ou do brinquedo também é comum quando a criança vai dormir na casa de alguém, quando viaja ou quando ocorre alguma outra mudança na rotina'', observou.
Seis meses
A idade em que estes objetos começam a se tornar importantes para a criança varia, mas Daniele afirmou que este comportamento pode ter início a partir dos seis meses. ''Geralmente são pelúcias, brinquedos de tecido e até mesmo algum pano usado pela mãe para limpar a boca ou cobrir a criança. Estes materiais são quentinhos, dão a noção de calor humano e trazem conforto'', destacou.
Outra característica dos objetos macios, geralmente escolhidos pelas crianças, é o cheiro. ''Eles mantém o cheiro. O odor da mãe ou até mesmo do ambiente fica no brinquedo e este é um sentido importante para a criança'', disse. Daniele lembrou que algumas crianças usam o cheiro para reconhecer o objeto. ''Tem criança que tem o brinquedo 'fedidinho' e quando a mãe lava ela reclama que não é o mesmo'', afirmou.
Linguagem
Para a psicóloga, o objeto de transição é adequado até que a criança adquira a linguagem para expressar seu próprio sentimento. ''Por volta dos dois anos a mãe deve gradativamente retirar o objeto. Esta idade coincide com a entrada da na escola e, como ela começa a frequentar outros lugares, o contato com o brinquedo se torna mais difícil.''
A retirada do objeto deve ser feita aos poucos e sem ameaças ou promessas de recompensas. ''Pode ser que estes métodos até funcionem, mas sentimentalmente não sabemos como a criança está reagindo à promessa de ganhar outro brinquedo ou diante de uma ameaça feita pelos pais'', explicou.
De acordo com a especialista, uma maneira interessante é distrair a criança com outro objeto. ''Se ela usa o paninho na hora de dormir, é legal a mãe sentar na cama e contar uma história ou ficar fazendo carinho na mãozinha da criança até ela dormir. Os pais devem oferecer outros estímulos para que a criança vá se separando deste objeto'', afirmou.
Se durante o processo de separação a criança ficar muito nervosa em determinado momento porque quer muito o brinquedo preferido, a psicóloga recomenda ceder ao pedido como uma última alternativa para acalmar a criança. Daniele disse que o ideal é ir reduzindo aos poucos a quantidade de vezes que a criança usa o objeto; assim, gradativamente, ela vai perceber que consegue ficar sem ele.
Dependente
De acordo com a psicóloga, o uso prolongado do objeto de transição é ruim para a própria criança, porque quanto mais ela cresce mais dependente fica. ''Muitas vezes a criança vai se sentir mal se não tiver o objeto na mão na hora em que deseja. Qualquer dependência é ruim e não retirar o objeto da criança significa esperar que ela tenha maturidade para entender que precisa largar; isso pode se prolongar até seis anos ou mais''.
''Tirar um brinquedo querido por uma criança pequena dá trabalho, mas se ela tiver até um ano é mais fácil do que quando ela tiver três anos de idade, porque daí ela já entende a situação'', disse Daniele.


