Chorume sem destino
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina O contrato para transporte e tratamento do chorume gerado na Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Londrina expirou no domingo e ainda não foi renovado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). A última coleta de material feita no local ocorreu no sábado. A administração municipal agora terá que buscar soluções para dar a destinação correta ao líquido gerado na decomposição dos resíduos orgânicos do lixo comum.
Desde novembro, em média, 100 metros cúbicos eram coletados todos os dias pela Empresa Maringaense de Tratamento de Efluentes (Emtre). O proprietário da firma, Robson Hoepers, contou que a expectativa é de que o contrato com a CMTU ainda seja renovado. Em seis meses, a empresa recebeu R$ 1.240.200,00 para o transporte de 18 mil metros cúbicos de chorume até Maringá, a cerca de 100 quilômetros de Londrina. "Cumprimos o contrato e fizemos a última carga no sábado. A CMTU entrou em contato conosco ontem [terça-feira], mas não está nada certo. Entendemos as dificuldades financeiras do município e não pretendemos reajustar os valores, apesar do aumento dos combustíveis", afirmou. Segundo ele, o município paga R$ 69,90 por tonelada de chorume tratado, valor abaixo da média cobrada em cidades da região.
O líquido produzido nas valas de aterramento dos resíduos escoa para as lagoas de chorume. Hoepers, que também é engenheiro químico, explicou que o produto era colocado nos caminhões e transportado até a empresa que realiza o tratamento. "Fizemos de três a quatro viagens por dia. Nos meses com chuva, o volume aumenta nas lagoas de armazenamento. Temos duas etapas de tratamento do chorume: uma biológica, para a remoção de nitrogênio, e outra para a remoção da carga orgânica. Depois o produto passa por um sistema de decantação, segue para um tratamento físico-químico e, após todas as etapas, é lançado na natureza", explicou. O líquido é despejado no Ribeirão Floriano, em Maringá. O processo demora, em média, dois dias para ser concluído.
A empresa é responsável pelo transporte e tratamento de chorume gerado nas cidades de Paiçandu, Nova Esperança, Maringá, Sarandi, Ourizona e em municípios consorciados na região de Joaquim Távora. Conforme Hoepers, a empresa possui licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para executar os serviços.
A integrante da Câmara Técnica de Resíduos Sólidos do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), Maria José Sartor, ressaltou que há dificuldades em obter informações junto à CMTU. "A gente procurou os representantes da companhia várias vezes, mas não conseguimos dados e números relacionados à gestão dos resíduos como um todo. A nossa maior dificuldade com isso é que, dessa forma, nós não podemos contribuir para melhorar a gestão. A proposta do Consemma é trabalhar em parceria com a Prefeitura, mas o que se tem percebido é um distanciamento da população e do trabalho das cooperativas com a separação dos resíduos", argumentou.
Maria José lembrou que uma coleta seletiva mais eficiente reduziria o volume de lixo encaminhado à CTR e, consequentemente, o volume de chorume.
A primeira etapa da Central de Tratamento de Resíduos foi inaugurada em 2010 com a promessa de que haveria um local adequado para o tratamento do chorume. No entanto, o geólogo e consultor ambiental, Cleuber Morais Brito, destacou que a cidade terá que conviver com o contrato de empresas para o transporte do líquido. "A CTR de Londrina tem um problema porque está na Bacia dos Apertados que desemboca no Rio Tibagi e está a dois quilômetros da estação de captação de água da Sanepar que abastece Londrina. Com isso, mesmo que o chorume fosse tratado, ele não poderia ser descartado no rio", destacou o ex-secretário municipal do Ambiente.
Segundo ele, o despejo irregular de chorume pode gerar a contaminação do solo e outros danos ambientais.
Desde segunda-feira, a reportagem da FOLHA busca informações junto à CMTU sobre a gestão do chorume na CTR, mas nenhum responsável pelo setor atendeu a solicitação de entrevista.


