Proprietários de chácaras vizinhas ao Aterro Sanitário de Londrina, localizado na zona leste da cidade, temem o vazamento de chorume (líquido produzido pelo lixo) para a nascente do Córrego Periquito, no Bairro Limoeiro.
De acordo com os chacareiros, as tubulações colocadas pela prefeitura desembocam direto na região das minas d‘agua que originam o riacho. Há cerca de 40 dias, devido a ocorrência de fortes chuvas, houve um rompimento no aterro e a lagoa de chorume inundou uma propriedade vizinha.
A Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) garante que não existem riscos de contaminação. ‘‘A tubulação foi colocada para isolar a água da chuva e evitar novos desmoronamentos. O líquido é filtrado em caixas de retenção antes de escoar para as nascentes. Além disso, a tubulação está entupida há algum tempo, não existe possibilidade da água chegar às minas’’, explica Elsone Delavi, técnico responsável pelo monitoramento do aterro.
Ele acrescenta que a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) do chorume apresenta índice satisfatório e não oferece grandes riscos de contaminação. ‘‘Têm peixes e garças vivendo na lagoa, o DBO está controlado’’, ressalta.
Os proprietários também estão assustados com a possibilidade de novo rompimento no aterro, se houver ocorrência de chuvas fortes. ‘‘Caso chova por muitos dias, existe risco do aterro desabar e o lixo invadir nossas propriedades, como aconteceu há um tempo atrás. Eles não estão tratando a nova lagoa de chorume, esperamos providências’’, reivindica o chacareiro João Tófoli.
De acordo com a AMA, já estão sendo tomadas as iniciativas necessárias para evitar nova tragédia. ‘‘Começamos a depositar o lixo de cima para baixo, aterramos diariamente, isolamos o chorume em uma nova lagoa e estamos drenando as águas pluviais. Também vamos cercar o aterro e drenar os gases do lixo para evitar incêndios’’, completa Delavi.
Ele admite, porém, a possibilidade de desmoronamento se ocorrerem chuvas fortes por um período prolongado. ‘‘Mas não há risco de atingir as chácaras, pois estamos operando o talude corretamente’’, garante.
A AMA realizará hoje uma análise da qualidade da água do lençol freático (subterrâneo) da região, contaminada pelos 23 anos de operação do ‘‘Lixão’’. Durante o processo, o técnico Elsani Delavi se comprometeu a analisar também a água do Córrego Periquito, para acabar com as dúvidas dos agricultores.

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