O microempresário José Furmann de Oliveira, 32 anos, morreu na tarde de ontem vítima de uma descarga elétrica quando trabalhava na colocação do forro do prédio, em construção, que abrigará o novo ‘‘Hiper Muffato’’, na avenida Duque de Caxias, na área central de Londrina. Oliveira era sócio-proprietário da Decoradora de Interiores Cascavel Ltda, que prestava o serviço na obra de forma terceirizada.
Segundo depoimento de testemunhas ao delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antonio de Melo, no momento do acidente o decorador estava sobre um andaime furando o teto para a instalação do forro. ‘‘A furadeira parou de funcionar, e José de Oliveira desceu para checar a fiação. Ele encontrou um fio descascado e tentou consertá-lo sem desligar os aparelhos. Foi assim que sofreu a descarga elétrica’’, contaram as testemunhas ao delegado, que abriu inquérito policial para investigar o acidente e apurar as responsabilidades.
A equipe médica do Siate chegou rapidamente ao local. Oliveira morreu na ambulância, quando estava sendo transportado para um hospital. Até o início da noite, o Instituto Médico Legal não havia liberado o corpo. ‘‘O chão onde aconteceu o acidente estava molhado e cheio de fios, alguns deles descascados. A vítima não estava usando equipamentos de segurança, como botas e luvas de borracha’’, afirma o delegado Melo, que esteve no local juntamente com peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil.
O gerente da empresa Irmãos Muffato, Valdecir Galhardi, divulgou nota à imprensa lamentando o acidente e disse que ‘‘não dá para saber exatamente como aconteceu a descarga elétrica’’ que vitimou o decorador.
O delegado responsável pelo inquérito adiantou que aguardará o resultado da perícia feita pela Criminalística - que deve sair em dez dias - para tomar novos depoimentos, entre os quais o do engenheiro respsonsável pela obra e de proprietários do supermercado. Caso fique provado que houve negligência e homicídio culposo, a pena prevista para os responsáveis é de um a três anos de detenção.
Há três anos que não morria trabalhador em obras da construção civil em Londrina. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores deste setor, Denilson Pestana, ressalta que a entidade acompanhará a apuração civil e criminal do acidente e intercederá na defesa da família de José Oliveira em busca de indenização financeira. Segundo Pestana, em fiscalização realizada na obra, em dezembro de 97, diretores do sindicato encontraram 22 irregularidades no setor de segurança no trabalho.

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