Choque de barcos nas Cataratas mata 7
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Uma colisão entre dois barcos infláveis motorizados que transportavam turistas ontem pela manhã próximo às Cataratas do Iguaçu matou sete pessoas e feriu outras três, no maior acidente da história do Parque Nacional do Iguaçu. Seis dos mortos eram turistas estrangeiros.
O acidente envolveu duas embarcações da empresa Ilha do Sol Turismo, exploradora do conhecido Macuco Safári, passeio náutico que leva os turistas bem próximos às quedas.
A embarcação maior, onde estavam 23 passageiros, passou por sobre um barco menor, que transportava outros nove turistas. O impacto fez o barco menor virar, arremessando os feridos para dentro da água. Os passageiros da outra embarcação nada sofreram.
O acidente aconteceu às 11 horas, próximo à entrada do cânion onde é formado o conjunto de 275 quedas dágua. As duas embarcações estavam utilizando um caminho estreito no leito do rio, que, com a seca de quase três meses, diminuiu sua vazão, provocando o aparecimento de grandes rochas e pedras menores que dificultavam a navegabilidade no momento do acidente.
Logo após a colisão, o piloto do barco maior acionou o Corpo de Bombeiros, que chegou 30 minutos depois ao local. As buscas duraram cerca de três horas, mas ao meio-dia seis corpos já haviam sido retirados da água. A sétima vítima morreu à tarde, no Santa Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu, para onde foram levados os feridos.
O casal francês Jean Pierre e Marrie Helene Sawagi, residentes em São Paulo; e a aposentada chilena Maria Soledad Andressa Silva, 69 anos, foram resgatados com vida. Eles foram levados com ferimentos leves na cabeça para a Santa Casa. No final da tarde, já haviam sido liberados.
Apenas três corpos estavam com documentos e foram identificados imediatamente: o piloto Cândido Siqueira, 23 anos, o chileno Jorge Alcazar Cruz e Antonio Baia Patrão, 41 anos, português radicado no Brasil. A embarcação não possuía uma relação com os nomes dos passageiros que embarcaram.
Outros quatro corpos foram identificados apenas às 21h30 de ontem. São dois casais: os franceses Guy Andres Jean Biscay e Bernadette Madellaine Guerre Biscay; e os portugueses Manoel José Saramago Areias Pereira e Esther Lakshmi Alves Osório Areias Pereira. O Instituto Médico-Legal (IML) tem dez dias para divulgar o resultado do laudo médico que irá definir a causa das mortes.
Os barcos estão sob a guarda da Capitania Fluvial dos Portos do Rio Paraná e, a partir de hoje, deverão passar por minuciosa perícia para que a Marinha responsabilize os culpados. O piloto da embarcação maior, identificado apenas como Néri, está foragido.
Alexander Peter Schorsch, sócio-proprietário da Ilha do Sol Turismo, agência responsável pelo passeio, disse ontem acreditar que tenha ocorrido falha humana. Ele não quis dar mais declarações. No início da tarde, Schorsch foi vítima de uma crise nervosa, que o levou a ser hospitalizado. Depois de sedado, ficou em casa, em repouso.
O secretário municipal de Turismo, Antonio Hernandes Gonzáles Júnior, disse que o acidente foi uma fatalidade. O que ocorreu aqui pode acontecer em qualquer lugar do mundo. Nos últimos dez dias aconteceram cinco acidentes com montanhas-russas nos Estados Unidos, comparou.Seis turistas e o piloto de uma das embarcações morreram no acidente, ontem, durante o Safári do Macuco, no Parque do Iguaçu
Ney de SouzaNey de SouzaRESGATEBombeiros e policiais retiram corpo de um dos seis turistas mortos no acidente nas Cataratas do Iguaçu (ao alto). Alexander Schorsch (acima), diretor da Ilha do Sol Turismo





