Telma Elorza
De Londrina
Choque anafilático (reação corporal de hipersensibilidade a uma substância) foi a causa da morte da menina Jenifer Stefani dos Santos, 8 anos, ocorrida no último dia 30 em Londrina. A menina recebeu uma injeção de penicilina benzetina (nome genérico) no Pronto Atendimento Infantil (PAI). O laudo da necrópsia foi entregue ontem pela manhã ao delegado do 1º Distrito Policial (DP) Algacir Antônio Ramos, responsável pelo inquérito que apura as circunstâncias da morte da garota.
A divulgação do laudo, porém, foi feita à tarde, pelo diretor-clínico do PAI, Jonilson Favareto, em coletiva na sede da Associação Médica de Londrina (AML). Favareto convidou a participar da coletiva o médico-chefe do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, Antonio Carlos de Queiróz; a diretora do Departamento de Pediatria da Associação Médica de Londrina, a médica Margarida de Fátima Fernandes de Carvalho; e o farmacologista João Batista Guerra. Os dois últimos são professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Segundo o delegado Algacir Ramos, o inquérito deve ser encerrado ainda esta semana. ‘‘Amanhã (hoje), devo ouvir a mãe da menina e sua nora, que a levaram ao PAI, para saber as circunstâncias em que Jenifer foi atendida e liberada’’. Ainda hoje, o delegado deve intimar o médico, enfermeiras e auxiliares de enfermagem que atenderam a menina no PAI.
Jenifer foi levado para o PAI, às 20 horas do dia 29, apresentando um quadro de amidalite. A menina foi atendida pelo pediatra de plantão, que receitou a injeção de Benzil Penicilina. Ela foi para casa onde chegou passando muito mal e morreu por volta das 2 horas.
Segundo Favareto, o objetivo da presença dos convidados foi para garantir que o medicamento é seguro. ‘‘A proporção de casos de choque anafilático por alergia ao medicamento é de uma ocorrência para cada um milhão de aplicações’’, afirmou Margarida de Carvalho. Segundo ela, não é recomendado o teste de alergia à penicilina como vinha sendo feito há alguns anos, por ser ineficaz e resultar em alto índice de reação falso-positiva. ‘‘Para se fazer o teste como deveria ser feito, ficaria muito caro, inviabilizando a saúde pública. Atualmente, o teste não é usado em nenhum país do mundo’’, garantiu. Para o professor Guerra, as principais vantagens do medicamento são o custo baixo e a grande eficácia contra as bactérias mais comuns que causam infecções, especialmente na garganta.
Segundo Jonilson Favareto, Jenifer ficou em observação por 30 minutos após tomar a injeção, o que, de acordo com ele, foi a conduta clínica adequada. Questionado sobre a afirmação feita por Maria de Fátima Marques dos Santos, mãe de Jenifer, de que sua filha tinha saído do PAI passando mal, depois de dispensada por uma atendente de enfermagem, Favareto afirmou: ‘‘Pelo que sei, a menina saiu bem do PAI’’.

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