Londrina - Adolescentes do Instituto Comunicar e Crescer, que prepara jovens com Síndrome de Down e outras deficiências para a vida prática, participaram ontem de uma oficina de confecção de bombons no Espaço Gourmet da construtora Plaenge, em Londrina. Os chocolates, cuidadosamente embalados em bonitas caixas decoradas pelos próprios alunos, foram feitos com um objetivo maior que a simples venda estimulada pela proximidade da Páscoa.
''Eles compraram os ingredientes, manusearam o dinheiro, prepararam as embalagens e bombons e ainda comercializaram a produção, que está toda vendida'', contou a terapeuta ocupacional Thaís Helena Honório Garcia. Esta e outras atividades realizadas com o grupo, segundo ela, visam promover a socialização e a conquista da independência nas atividades do dia a dia. ''A ideia é que eles ampliem o círculo social, tendo contato com pessoas fora da família'', acrescentou.
O desafio começou com a tarefa de achar os produtos nas gôndolas do supermercado e vai terminar com a decisão, tomada em grupo, sobre o destino do dinheiro arrecadado com o comércio dos bombons. ''São eles que fazem tudo. Como a terapia ocupacional também é uma porta para o encaminhamento ao trabalho, é através dessas atividades que conseguimos indentificr as habilidades de cada um'', disse.
A oficina foi ministrada pela professora Vanessa Venâncio de Souza, que já trabalhou com a confecção de chocolate caseiro mas nunca tinha dado um curso sobre o tema. ''Estou gostando muito. A produção dos bombons estimula a coordenação motora e o trabalho em grupo'', disse ela, impressionada com o rendimento dos 12 alunos com idades entre 16 e 22 anos.
Lincoln Nakagawa, 17, era um dos mais experientes da turma. ''Já fiz chocolate na minha escola antiga e achei tudo fácil'', contou ele, cuja produção recebeu a aprovação da família. ''Minha irmã gosta muito dos bombons. Ela fala que derrete na boca.''
Também com 17 anos, Pedro Freitas Pequito gostou de fazer a massa de chocolate, mas achou difícil preencher as formas. ''Aprendi que precisa lavar as mãos antes de fazer os bombons. Também gostei de cortar as barras, embrulhar os doces e fazer as caixas'', contou.
Dariane Mitis, 20, considerou trabalhosa a parte de cortar as barras. ''Deixei isso para os homens'', brincou a moça, que planeja propor ao grupo um passeio ao shopping para jogar boliche com o dinheiro das vendas.
Elias Haddad, 19, que adora chocolate, mas controlou a vontade de ''beliscar'' os doces antes que estivessem prontos, lembrou aos amigos que a Páscoa é tempo de comer ovos de chocolate, mas é também uma ocasião para celebrar a ressureição de Jesus Cristo.

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