Chocolates preparam para a vida
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quinta-feira, 02 de abril de 2009
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Adolescentes do Instituto Comunicar e Crescer, que prepara jovens com Síndrome de Down e outras deficiências para a vida prática, participaram ontem de uma oficina de confecção de bombons. Os chocolates, cuidadosamente embalados em bonitas caixas decoradas pelos próprios alunos, foram feitos com um objetivo maior que a simples venda estimulada pela proximidade da Páscoa.
''Eles compraram os ingredientes, manusearam o dinheiro, prepararam as embalagens e bombons e ainda comercializaram a produção, que está toda vendida'', contou a terapeuta ocupacional Thaís Helena Honório Garcia. Esta e outras atividades realizadas com o grupo, segundo ela, visam promover a socialização e a conquista da independência nas atividades do dia a dia. ''A ideia é que eles ampliem o círculo social, tendo contato com pessoas fora da família'', acrescentou.
O desafio começou com a tarefa de achar os produtos nas gôndolas do supermercado e vai terminar com a decisão, tomada em grupo, sobre o destino do dinheiro arrecadado com o comércio dos bombons. ''São eles que fazem tudo. Como a terapia ocupacional também é uma porta para o encaminhamento ao trabalho, é através dessas atividades que conseguimos indentificar as habilidades de cada um'', disse.
A oficina, realizada no Espaço Gourmet da construtora Plaenge, em Londrina, foi ministrada pela professora Vanessa Venâncio de Souza. Ela já trabalhou com a confecção de chocolate caseiro mas nunca tinha dado um curso sobre o tema. ''Estou gostando muito. A produção dos bombons estimula a coordenação motora e o trabalho em grupo'', disse ela, impressionada com o rendimento dos 12 alunos com idades entre 16 e 22 anos.
Lincoln Nakagawa, 17, era um dos mais experientes da turma. ''Já fiz chocolate na minha escola antiga e achei tudo fácil'', contou ele, cuja produção recebeu a aprovação da família. ''Minha irmã gosta muito dos bombons. Ela fala que derrete na boca.''
Também com 17 anos, Pedro Freitas Pequito gostou de fazer a massa de chocolate, mas achou difícil preencher as formas. ''Aprendi que precisa lavar as mãos antes de fazer os bombons. Também gostei de cortar as barras, embrulhar os doces e fazer as caixas'', contou.
Dariane Mitis, 20, considerou trabalhosa a parte de cortar as barras. ''Deixei isso para os homens'', brincou a moça, que planeja propor ao grupo um passeio ao shopping para jogar boliche com o dinheiro das vendas.
Elias Haddad, 19, que adora chocolate, mas controlou a vontade de ''beliscar'' os doces antes que estivessem prontos, lembrou aos amigos que a Páscoa é tempo de comer ovos de chocolate, mas é também uma ocasião para celebrar a ressureição de Jesus Cristo.


