Se os doces conseguem fazer qualquer criança sorrir, a Páscoa vai ser de muita alegria para mais de 2.300 crianças de Londrina. Com a iniciativa de alunos, pais, professores e funcionários do Colégio Universitário, espera-se que 15 mil bombons sejam distribuídos a 20 instituições do municipío, no próximo dia 12 de abril. Eles foram convidados a doar chocolates e contribuir para a campanha ''Unipáscoa: amor, solidariedade e união''. Em 2005, foram quase dez mil bombons entregues à 12 entidades.
Neste ano, os próprios alunos colocaram a mão nos chocolates e fôrmas para produzir cerca de 600 bombons caseiros. Mesmo sem gostar de se aventurar na cozinha, Bruno Rosseto, de dez anos, resolveu participar por acreditar ser uma boa causa. ''Acho que elas vão ficar felizes. Eu ficaria'', exclama. Ele espera encontrar crianças muito parecidas com ele no dia da entrega dos bombons. ''Acho que eles não são tão diferentes, são só crianças que precisam de mais ajuda'', explica.
Aluna do cursinho, Aime Barbosa, de 17 anos, complementa o pensamento de Bruno: ''Nós já temos de tudo, e por isso temos obrigação de ajudar quem não tem''. Ela revela que o que mais a agrada nesta iniciativa é a expressão de alegria das crianças. ''Às vezes, os pais delas não estão acostumados a dizer que as amam, por isso acho bonito que elas consigam se expressar pelo olhar e pelos gestos''. Ela lembra quando foi fazer a entrega numa instituição e uma criança se agarrou à perna dela. ''Ela não queria largar. Olhava com aquela carinha de quem não queria que a gente fosse embora nunca''.
Reflexão - Manifestações de solidariedade como estas possibilitam também a reflexão sobre o sentido da Páscoa. Para a estudante, a data cristã deve marcar não pelos chocolates, como tem acontecido, mas pela avaliação das ações humanas. ''É uma oportunidade de analisar o que causou sofrimento ao ser humano e aproveitar para dissipar o amor'', destaca.
O presidente do Conselho dos Pastores Evangélicos de Londrina, Edson Oliveira Filho, recorre à origem judaica da Páscoa para analisar a comemoração. Ele explica que a data surgiu a partir da libertação do povo de Israel do Egito, que foi marcada pelo sacrifício de um cordeiro. Daí, a representação de Jesus, como ''Cordeiro de Deus'', capaz de livrar os homens dos pecados do mundo. Ele ainda explica que a data deve ser uma época de irmandade capaz de levar à libertação, mas questiona: ''Como pode haver igualdade se um ovo de chocolate, que foi sincretizado como um símbolo pascal, custa o preço que custa?''.

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