Chocante - Comerciante encontra bebê abandonado na rua
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
O dia começou diferente ontem para o comerciante Luis Carlos de Oliveira, 43 anos, morador do Conjunto José Bonifácio e Silva (Zona Leste de Londrina). Poucos minutos após sair de casa, bem cedo, como faz todos os dias, ele se deparou com algo que nunca imaginava que pudesse acontecer e que para ele foi uma ''verdadeira benção de Deus'': um bebê embrulhado num pedaço de pano, embaixo de uma árvore. Emocionado, Oliveira ainda tentou encontrar alguém por perto que pudesse ter deixado o recém-nascido, mas como não avistou ninguém, correu com o bebê para casa para avisar a esposa e irem juntos buscar ajuda.
O fato ocorreu por volta das 6h10, na Rua Custódio Tavares da Silva, a cerca de 300 metros da casa do comerciante. Quando passou pelo local, escutou um barulho próximo à uma árvore e parou para ver o que era. ''Parecia um miadinho, achei que fosse algum gato que pudesse estar preso em cima da árvore, mas olhei e não vi nada. Daí, quando olhei para baixo, vi aquele embrulho e a cabeça do bebê para fora do pano, olhando para mim. Fiquei muito emocionado. Só quem passa por isso, de encontrar um bebê, tem como explicar qual é a sensação'', disse. O comerciante disse que o bebê estava frio e já havia formigas subindo nos seus pezinhos, atraídas pelo sangue no pano usado para embrulhá-lo.
Oliveira e a mulher, Rosângela Maria Correia de Oliveira, embrulharam o bebê num pano limpo e levaram a criança até o Hospital Universitário (HU) de Londrina. Para Rosangela, a criança não apareceu no caminho deles por acaso. ''Eu acho que alguém colocou o bebê ali porque sabia que a gente está querendo adotar uma criança faz tempo. Quando eu peguei ele no colo, na hora senti como se fosse meu. Se a Justiça permitir, quero muito ficar com ele'', adiantou, bastante emocionada.
O casal tem apenas um filho de 13 anos e segundo Rosangela, há anos eles tentam adotar. ''Eu não posso mais ter filhos. Tentamos adotar uma criança uma vez e não deu certo, mas acompanhamos o nascimento e apadrinhamos ele. Hoje ele tem um ano e meio e a família dele faz parte da nossa família. Não sei o que se passou na cabeça dessa mãe para abandonar essa criança, mas com certeza ela devia saber que ali era o caminho que meu marido faz todo dia e deve ter deixado para a gente cuidar'', disse.
No hospital, o casal ficou sabendo que o bebê pesa 2,9 Kg e tem 52 centímetros. Aparentemente saudável, os primeiros exames realizados pelos médicos do HU apontam que o menino deve ter nascido por volta das 5h30, menos de uma hora antes de ser encontrado pelo comerciante. O recém-nascido está internado na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) do hospital, onde já foi amamentado com leite materno e está sendo chamado de Pedro pelas enfermeiras. Ele deve passar por todos os exames de rotina feitos em recém-nascidos e segundo a assessoria de imprensa do hospital, poderá ter alta em um ou dois dias.
Os moradores do bairro onde o bebê foi encontrado ficaram agitados com o acontecimento. Na manhã de ontem diversas pessoas queriam saber notícias do recém-nascido. Na rua de cima do mercado de Oliveira, uma grande mancha de sangue na parede e na calçada de uma mercearia chama a atenção dos moradores. ''Certeza que a mulher deve ter dado a luz aí e largou a criança lá embaixo da árvore'', comentou um morador.
A conselheira tutelar Salete Ieda Domingues da Silva, que atendeu o caso, esteve na 10Subdivisão Polciial na manhã de ontem encaminhando as informações à polícia. Segundo ela, assim que deixar o hospital, a criança deverá ser levada para um abrigo e deve ficar disponível para o Ministério Público, que vai encaminhá à adoção. ''É um bebê forte e aparenta ter bastante saúde. Os procedimentos agora deverão contar com a investigação policial para tentar apurar quem é a mãe da criança, que pode responder pelo crime de abandono de incapaz'', disse.


