‘Chico Cheque Especial’,
apelido de oposicionista
Uma faixa no muro da Câmara manifestava apoio ao prefeito Padeiro e se dizia contra o ‘‘Chico Cheque Especial’’. É o apelido que correligionários do prefeito tentam fazer ‘‘colar’’ no vereador Francisco Flávio Vitorino, 56 anos, mineiro, corretor de imóveis, protagonista de outro episódio confuso e que rende um processo na Justiça, por denúncia do Ministério Público. Ele, porém, garante que os opositores ‘‘é que tentam bulir alguma coisa em cima de mim’’.
Vitorino é acusado de ter se apossado de R$ 1.711,00 de um cheque em nome da prefeitura, que havia sido entregue a ele por uma mulher, residente em Minas Gerais, dona de um sítio no município. O sítio foi vendido por Vitorino, mediante comissão de R$ 4,5 mil. O cheque deveria ser destinado ao pagamento de tributos municipais, incidentes sobre a propriedade, principalmente taxa de conservação de estradas. Ele conta que havia recebido a informação sobre o débito fiscal, mas depois teria sido constatado que o valor inexistia.
‘‘Eu estava apenas prestando um favor para a pessoa’’, conta. O vereador-corretor admite, porém, que não se preocupou em obter uma certidão negativa de débitos sobre o imóvel. Segundo ele, o chefe de Finanças da prefeitura, Jair Claudino, carimbou e endossou o cheque, permitindo que ele fosse depositado em outra conta ou sacado. Vitorino depositou na conta de sua sogra, ‘‘porque não tenho conta em banco’’. E garante que, com a ex-dona do sítio ‘‘está tudo certo, pois o dinheiro entrou no acerto da corretagem’’.
‘‘É só o pessoal do Padeiro que está questionando o caso’’, diz. Foi exatamente o ‘‘pessoal do Padeiro’’ quem comunicou o caso à Polícia, onde Vitorino foi indiciado porque teria entrado na prefeitura, pegado o carimbo furtivamente e ele próprio feito o endosso. Em setembro, o vereador foi denunciado pelo promotor de Justiça Venancio Stefano Filho, em processo que ainda tramita. Em tese, a condenação, se ocorrer, pode ser por apropriação indébita (pena de 1 a 4 anos) e falsidade ideológica (1 a 5 anos).
Paralelamente pode haver a interdição de seus direitos políticos. Pela Câmara de Vera Cruz do Oeste, Vitorino foi previamente ‘‘absolvido’’: a denúncia do Ministério Público foi desconsiderada como motivo para abertura de processo de cassação. Na sessão da quinta-feira, o vereador Ervandil Simões Pires lembrou que ‘‘há gente aqui querendo fazer justiça contra o prefeito, mas o mesmo não acontece em relação a um dos que aqui estão’’. Francisco Flávio Vitorino era exatamente o presidente da comissão processante contra Padeiro. (P.P.)

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