Chicana chama atenção na zona norte de Londrina
Sinalização com tachões na avenida das Torres foi implantada nesta semana e divide opiniões
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Sinalização com tachões na avenida das Torres foi implantada nesta semana e divide opiniões
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

Objetivo do desvio artificial na pista é a redução da velocidade
A implantação de uma chicana na avenida Otávio Clivati, a avenida das Torres (zona norte de Londrina), chama a atenção pela pintura e tem causado divergências entre os moradores. A sinalização com tachões que funciona como moderador de velocidade foi instalada pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) e está valendo desde o início da semana. Trata-se de um desvio artificial na pista, visando a redução da velocidade dos veículos e que começou a ser adotada em Londrina em 2017, inicialmente em três locais: na rua Sebastião Antonio Souza Callero, nas Chácaras Mussahiro; na avenida dos Expedicionários, ao lado do Jardim Botânico; e na rua Vila-Lobos, no Vale dos Tucanos, todos na zona sul.
A diarista Kawana Stefani do Nascimento, moradora da zona norte, aprovou a nova sinalização. “Eu achei boa a mudança, porque as pessoas freiam mais antes de chegar lá. Eu tenho filho pequeno e fico preocupada, com medo que ele seja atropelado”, destaca. Mas ela observa que sempre existem aqueles que ignoram a sinalização e passam direto. “Isso acontece principalmente depois das 17 horas, quando o pessoal está voltando do trabalho. Acho que o povo não está acostumado com o desenho dessa sinalização”, aponta.
Já a dona de casa Ivi Marcela Ferreira não gostou da mudança. “Eu e meu marido sempre dirigimos aqui e a probabilidade de aumentar os acidentes é grande, porque as duas pistas se afunilam e os motoristas acabam freando de repente”, afirma. Para a auxiliar de serviços gerais Maria Rosângela da Silva, que mora no bairro há 26 anos, o problema do excesso de velocidade só será solucionado com a implantação de uma lombada. “As pessoas não respeitam a pintura no chão”, declara.
A reportagem foi à rua Sebastião Antonio Souza Callero, uma das primeiras vias a receber a sinalização, e constatou que a sinalização está bastante apagada e os motoristas já não têm respeitado da mesma forma que faziam quando a sinalização foi implantada.

Rua Sebastião Antonio Souza Callero
A via é bastante frequentada por ciclistas e pedestres da região do jardim União da Vitória, já que oferece menos perigo do que o trânsito na PR-445. O pedreiro Alexandre dos Santos Gonçalves conta que a sinalização foi implantada depois de um acidente que resultou na morte de um motociclista. “Mas se não tem uma tartaruga para delimitar essa sinalização, os motoristas não respeitam e os carros continuam circulando nas duas pistas. Como não tem ninguém aqui para fiscalizar, se dois carros estão emparelhados continuam seguindo em linha reta, e passam por cima da pintura”, destaca.
A diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), Denise Ziober, explica que o projeto é resultado das discussões do Grupo de Trabalho de Trânsito, do Ministério Público. “Um dos grupos elaborou estatísticas de acidentes de trânsito e elegeu a avenida das Torres como a que mais 'mata' pessoas. É uma avenida que não tem grande tráfego, mas é larga e plana. Isso faz com que o pessoal desenvolva alta velocidade”, observa.
OUTRAS VIAS
Ziober explica que, a exemplo da avenida das Torres, algumas vias em Londrina foram criadas porque ficam abaixo de linhas de transmissão de energia ou lindeiras a linhas de trem. “Uma lei federal estabelece faixas marginais ao lado dessas estruturas, mas elas foram implantadas sem tráfego pesado. São vias com abundância de leito carroçável. Essa solução (chicana) não elimina a infraestrutura implantada. Se hoje não tem tráfego suficiente e possui situação de risco, amanhã, quando a (avenida) Saul Elkind atingir sua capacidade máxima, você precisará de uma via alternativa para dar vazão a esse tráfego. Quando isso ocorrer é só retirar a sinalização, fazer o recape e ela fica como via paralela”, explica.
A diretora de Trânsito explica que sinalização semelhante será implantada em outras vias. “A próxima rua a ter essa sinalização será a rua Flor de Jesus, na zona leste”, destaca.


