Cheida manda anular resultado de sindicância sobre lago Igapó
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sexta-feira, 29 de novembro de 1996
Da Redação 
O prefeito Luiz Eduardo Cheida definiu ontem pela anulação do resultado da sindicância instaurada em outubro para apurar as responsabilidades do desastre ecológico decorrente do esvaziamento dos lagos Igapó 3 e 4. O Executivo vai nomear uma outra comissão para realizar nova sindicância. Segundo a secretária-geral da Prefeitura, Alice Cardamone Diniz, dois dos três funcionários que formaram a comissão de sindicância estavam em estágio probatório (experiência), situação que invalida o resultado das investigações.
Paulo Cesar Dolibaina e Marcelo Rubens Machado (da Autarquia Municipal do Ambiente) e Cecília Cesar Eller (da Secretaria da Agricultura) compunham a comissão de sindicância. Paulo Cesar e Marcelo prestaram concurso mas estão na Prefeitura há menos de dois anos - prazo do estágio probatório. A falta de profundidade das investigações, que se limitaram a apurar por que a comporta não fechou, também contribuiu para a decisão. O fato tem de ser investigado amplamente para que saibamos exatamente o que levou ao acidente ecológico, enfatiza Cardamone. Pelo relatório da comissão, um pneu jogado nas águas do Lago 4 bloqueou a comporta, impedindo o seu fechamento, deixando que toda a água dos dois lagos escoasse para a parte 1.
As comportas foram abertas na sexta-feira, 5 de outubro, para ajudar a encher a parte 1 do Lago. A inauguração dos trabalhos de revitalização do Lago 1 estava marcada para o dia 6, domingo. Mas a comissão de sindicância não apurou porque as comportas não foram fechadas no final da tarde de sexta-feira, como o secretário de Obras, Márcio Strini, havia garantido em entrevista à Folha. Nem explicou porque, uma vez constatado o problema, não foi tomada nenhuma medida para impedir o esvaziamento dos lagos.
A comporta ficou aberta durante três dias (sexta, sábado e domingo). Com o esvaziamento, milhares de peixes foram pescados com peneiras, samburás e até com as mãos. Ou morreram.


