Cheida diz que paralisação impedirá pagamento do 13º
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terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Célia Baroni 
- Se os servidores não voltarem ao trabalho, a única certeza que teremos é da impossibilidade do pagamento da segunda parcela do 13º.
A afirmação foi feita ontem à tarde pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida, em entrevista coletiva na Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). Cheida apelou aos servidores para que retornem ao trabalho.
Segundo ele, faltam cerca de R$ 8 milhões para cobrir a diferença do 13º e pagamento dos salários - 25% do que o município tem a receber em dívida ativa. Os salários de dezembro, que deveriam ser pagos no dia 30, só serão efetuados em 97. O prefeito defendeu que a paralisação agrava ainda mais a situação dos servidores. Com a Prefeitura parada não há os recursos de impostos darem entrada no caixa do município.
Cheida disse que muitos funcionários discordam da paralisação e estão revoltados com o Sindicato dos Servidores (Sindserv). A greve foi uma atitude premeditada e que não atende aos interesses da categoria. Ele lembrou que os contribuintes em atraso, com os impostos acionados na Justiça, só podem efetuar o pagamento na Prefeitura. Ele afirmou que os pagamentos de outras taxas e impostos feitos através do Banestado também não vão poder chegar aos servidores enquanto houver paralisação. O dinheiro que consegue entrar não tem como sair para o pagamento dos funcionários.
Pelos cálculos da prefeitura, a arrecadação média é de cerca R$ 150 mil por dia. Não resolveria o problema de falta de recursos, mas poderia garantir o pagamento integral do 13º a todos os servidores.
Na avaliação de Cheida, a greve está longe de atingir as proporções divulgadas pelo Sindiserv. Segundo o prefeito, a maioria das autarquias está com os recebimentos do 13º em dia e continua trabalhando normalmente. Assim como a frente de trabalho, para quem o pagamento de R$ 200,00 repassado significa o valor total do 13º.
Somente o prédio da Prefeitura e a Saúde estarão em greve. O prejuízo é todo da comunidade, que fica sem o atendimento, e dos servidores, que vão continuar sem receber, comentou. Sobre o possível impacto da greve em final de mandato nas suas ambições políticas, Cheida afirmou que não teme reflexos. Se assim fôsse muitos prefeitos, inclusive o recentemente eleito, teriam tido suas carreiras prejudicadas. Grandes administradores como Dalton Paranaguá também atrasaram pagamentos de salários dos funcionários públicos. E olha que, naquela época, a situação das prefeituras era bem melhor.
Cheida garantiu que não existe possibilidade de empréstimo. A lei proíbe qualquer empréstimo em ano eleitoral. A única esperança, enfatizou, para a Prefeitura fechar o ano com as obras necessárias, as contas em dia e dinheiro em caixa, era a venda das ações da Sercomtel S/A. A comercialização das ações foi inviabilizada por uma ação popular movida contra a transformação do Sercomtel em sociedade anônima.
Cheida anunciou ainda a liberação da cesta básica. Uma negociação com os donos de algumas das grandes redes de supermercados da cidade, intermediada pelo prefeito eleito Antonio Belinati, possibilitou o acordo. O pagamento será feito pela próxima administração, que avalizou a operação. Recentemente, os supermercados haviam decidido não aceitar mais o cheque cesta básica da Prefeitura, em protesto contra a dívida ainda não paga de mais de R$ 500 mil, com o setor.
O prefeito eleito não fez nada mais do que eu fiz quando assumi a administração, coincidentemente após o seu mandato. Paguei as dívidas que ele deixou. Mas, segundo Cheida, a iniciativa de Belinati foi louvável e segue a linha adotada pelos prefeitos eleitos de todo o País. O atual prefeito ressaltou: dos mais de 5 mil municípios do País, apenas 10% conseguiram pagar o 13º e salário de seus servidores.


