Cheida critica liminar contra S/A; empresário questiona valor de ações
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terça-feira, 26 de novembro de 1996
Adriana De Cunto 
A liminar que impede a venda das ações do Sercomtel tem repercussão negativa no mercado e pode atrapalhar negócios futuros da empresa. Essa preocupação foi manifestada pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida, pelo presidente da Sercomtel S/A, Gilbert Garcia de Souza, e pelo secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Marcos Fahur, durante reunião ontem na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) com lideranças locais e empresários.
A reunião foi convocada pelo presidente da Acil, Abílio Medeiros, com a finalidade de discutir a venda das ações da Sercomtel. Estiveram presentes também o prefeito eleito Antonio Belinati, o futuro secretário de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira (ver página de Política no Primeiro Caderno), e o presidente do Conselho de Administração da Folha de Londrina, João Milanez.
A liminar foi o principal assunto da reunião. Ela foi concedida pelo juiz da 1ª Vara Cível de Londrina, Manoel Sebastião da Silveira Filho, atendendo a uma ação popular que questiona a transformação da Sercomtel de autarquia em sociedade anônima. A prefeitura já entrou com recurso, junto ao Tribunal de Justiça do Estado, para derrubar a liminar e está aguardando decisão da Justiça.
Na opinião de Marcos Fahur, o mercado reage mal diante da insegurança da sociedade. E essa insegurança, segundo ele, pode prejudicar contratos futuros de parceria.
Durante a reunião, Cheida foi questionado pelo gerente-geral da empresa Reifor, Maurício Garcia Cid, sobre a opção de compra futura assinada com os bancos Fonte-Cindan e Sudameris, na qual o município recebeu R$ 21,7 milhões de caução. Através do acordo, os dois bancos ficam com a preferência, se as ações forem a leilão. Se o leilão não for concretizado, o município tem que devolver o dinheiro.
Maurício Garcia Cid também questionou o prefeito sobre o preço mínimo por ação estabelecido para a venda das ações. O valor de cada uma está avaliado em R$ 10, mas a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) deu, como garantia, apenas R$ 3,75 por ação. O gerente da Reifor apresentou, durante a reunião, avaliação feita pelo Banco Vetor, a pedido do promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Gallati, que estabelecia, como valor mínimo, R$ 8,00 por ação.
Segundo o documento apresentado por Garcia Cid, as ações da Telemig - empresa telefônica de Minas Gerais - estão sendo comercializadas por 1,57% sobre o valor de mercado. E as da Telepar, por 0,85% sobre o valor de mercado.
Cheida explicou que foram feitas várias avaliações, mas que só foi garantida a da CVM. Cheida garantiu que recusou a proposta: Nós consideramos R$ 3,75 um valor muito baixo. Para o prefeito, um preço razoável para as ações da Sercomtel seria 55% do preço de mercado.
Maurício Garcia Cid também fez um apelo à prefeitura: colocar na mesa de negociação das ações o vice-prefeito Assad Jannani, ex-superintendente do Sercomtel. Ele é o pai da Sercomtel S/A e pode contribuir muito para a transformação, justificou o empresário.
Na opinião do presidente da Sociedade Rural do Paraná, Manoel Garcia Cid, os empresários de Londrina devem ter prioridade na compra das ações. O prefeito disse que elas serão oferecidas primeiro aos londrinenses, o que é garantido pela lei.
Cheida diz que está usando o dinheiro da caução para terminar algumas obras. Na opinião dele, a liminar, impedindo a vendas das ações, não vai prejudicar a conclusão destas obras. De imediato, o grande prejudicado é a Sercomtel, ressalta o prefeito. Com a venda das ações da Sercomtel, o município quer receber R$ 60 milhões.
O prefeito eleito Antonio Belinati disse que foi à reunião da Acil para se informar sobre a situação da Sercomtel S/A. Ele não quis emitir opinião sobre a ação judicial.


