Edson GuittiSocorroDefesa Civil de Vila Alta remove pessoas e animais para lugar seguro: trabalho lento e difícil


Vila Alta - Pelo menos 500 pessoas estão desabrigadas no Noroeste do Estado devido a cheia do Rio Paraná. A situação é mais crítica nos municípios de Vila Alta e Icaraíma, onde está o Arquipelágo de Ilha Grande, o segundo maior fluvial do País. A última análise do Corpo de Bombeiros indicava uma elevação de cinco metros.
Ontem pela manhã a Defesa Civil ainda fazia a remoção de moradores para lugares seguros. Muitas ilhas foram totalmente invadidas pelas águas. A água também começava a entrar nas casas dos portos Figueira (no município de Vila Alta) e Camargo (Icaraíma), considerados centros turísticos.
O trabalho de remoção das pessoas é lento, mesmo com a utilização de duas balsas e quatro barcos do Corpo de Bombeiros e de voluntários que passam o dia na barranca do rio à espera de serviço. Na maioria das vezes, o pessoal do resgate tem que ajudar na captura de animais no meio da água. O pouco que se salvou da colheita de milho vai servir para tratar dos animais nas próximas semanas.
Na região de Paranavaí, a retirada dos moradores em área de risco foi concluída no final da semana. As prefeituras de Loanda, Querência do Norte, Porto Rico e São Pedro do Paraná improvisaram alojamentos para os desabrigados. Assim como em Vila Alta e Icaraíma, a Defesa Civil está enviando lonas plásticas e sopa. Escolas, agora em período de férias, e postos de saúde desativados estão servindo de abrigo.
Em Guaíra, no Oeste do Estado, onde termina a Ilha Grande, a própria prefeitura tem feito o resgate das pessoas. Elas estão sendo encaminhadas para o ginásio de esportes da cidade. O transporte de balsas para Mato Grosso do Sul e para o Paraguai continua sendo feito normalmente. Em Icaraíma, a cheia ainda não interrompe a contrução da ponte que liga o Paraná ao Mato Grosso do Sul.

Transporte de
balsa para o
Paraguai continua
normalmente


A cheia do Rio Paraná é reflexo das chuvas que há 20 dias castigaram Minas Gerais. A água depositada na cabeceira do rio começou a chegar há duas semanas ao Noroeste do Paraná. Para agravar o quadro, choveu acima da média no Estado nos últimos dias.
Anísio Aleixo da Silva mora há 30 anos na Ilha Grande e já acostumou com períodos de estiagem e cheia. ‘‘Isso aqui sempre foi assim, mas parece que está piorando’’, diz, atento aos cães e galinhas que cria para não deixá-los na água quando o pessoal da Defesa Civil passar.
Silva tem todas as características de nativo: desconhece as programações da televisão, não ouve rádio, raramente vê gente e planta o necessário para garantir sua subsistência e a dos sete cães vira-lata e 30 galinhas que se espalham por uma área de 8 alqueires. Praticamente toda a plantação de milho de Silva foi destruída pelo gado que fica na ilha. ‘‘É uma desgraça, mas também, a água iria levar tudo mesmo’’.

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