Cheia desabriga 1,8 mil moradores da fronteira
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segunda-feira, 27 de abril de 1998
Edna Mendes 
Ney de SouzaDebaixo dáguaO acúmulo de lixo no leito do Rio Acaray, afluente do Rio Paraná, preocupa moradores da regiãoCerca de 1,8 mil pessoas estão desabrigadas por causa das enchentes em Ciudad del Este, no Paraguai, fronteiriça a Foz do Iguaçu. O rio Acaray, que está quatro metros e meio acima do normal, transbordou e inundou aproximadamente 200 casas dos bairros São Rafael, Santo Agostinho, Remansito e 23 de Outubro. Parte desses bairros está sem energia elétrica porque a rede de transmissão está submersa. Em menos de um mês, é a segunda enchente que atinge a região.
O rio Acaray é afluente do Rio Paraná que está 16 metros acima do nível normal. A vazão na confluência dos rios Paraná e Iguaçu chegou a 34.823 metros cúbicos por segundo, enquanto o normal são 13 mil metros cúbicos por segundo. Segundo o Departamento Municipal de Promoção Social, a maioria das famílias que tiveram casas atingidas pela água, se recusa a deixar o local.
A enchente naqueles bairros é agravada porque o leito do rio Acaray é utilizado para despejo do lixo recolhido no centro da cidade. Os moradores temem uma epidemia de dengue. Moram nas redodenzas do rio cerca de cinco mil pessoas.
A Defesa Civil de Foz do Iguaçu também está em estado de alerta para retirar a população ribeirinha das favelas Jardim Jupira, Bambu e Cemitério. Até ontem à tarde, 50 pessoas estavam desabrigadas. A Prefeitura destinou o Centro de Apoio Integral a Crainça (CAIC) para alojar os desabrigados.
A Defesa Civil está fornecendo alimentos e lonas. A previsão é que a situação se normalize até o final da semana, se não chover mais. A prefeitura reservou um linha telefônica, o 199, para atender chamadas de socorro. No Parque Nacional do Iguaçu, a direção interditou a passarela que dá acesso à Garganta do Diabo e retirou as grades de proteção até que as águas baixem. (Colaborou Flávio Moura)


