Odair StraliottiTerra arrasadaNa zona rural de Marilândia do Sul o perigo continua se as chuvas continuarem. Mais de 20 represas estouraram e outras ameaçam romper a qualquer momento. O levantamento dos estragos ainda não foi concluído.

Um total de 1.341 pessoas estão desabrigadas no Estado e nas cidades paraguais que fazem fronteira com o Brasil em Foz do Iguaçu, por causa da cheia no Rio Paraná. Nas regiões Oeste e Noroeste, dez municípios decretaram ‘‘situação de emergência’’ em consequência das cheias. Pelo menos 400 pessoas estão em abrigos da Defesa Civil. Muitas famílias ainda estão sendo retiradas das ilhas e das regiões ribeirinhas.
O governador Jaime Lerner (PDT) vai sobrevoar hoje as áreas mais atingidas pela chuva no Estado. Ele também terá uma reunião, em Guaíra (158 quilômetros ao norte de Cascavel), com prefeitos da região.
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento estima que as perdas na agricultura devido à chuva já chegam a R$ 5,45 milhões. O feijão foi a cultura mais prejudicada.
Cerca de 25% das plantações que ainda não tinham sido colhidas foram perdidas. As enchentes também causaram prejuízos nas lavouras de milho, soja, arroz, tomate, batata e banana.
Em Foz do Iguaçu, a vazão do Rio Paraná aumentou ontem mil metros cúbicos por segundo, chegando a 30,4 mil metros cúbicos por segundo, com perspectiva de subir até dois metros acima do nível normal nos próximos dias devido as chuvas nas nascentes. A previsão foi feita por técnicos do Departamento de Hidrologia da Itaipu Binacional, acrescentando que esta cheia deve superar a registrada em 1992.
Nas Cataratas, o Rio Iguaçu atingiu 7,6 mil metros cúbicos por segundo, sete vezes mais do que o normal. Os técnicos prevêm para hoje um volume em torno de 8 mil metros cúbicos por segundo.


Edson GuittiO aumento do nível do Pirapó interrompeu o abastecimento em Maringá




Fronteira O aumento da vazão do Rio Paraná represou os afluentes Iguaçu e Boicy e já registra um saldo de quase mil desabrigados e uma morte em quatro cidades da fronteira entre Brasil e Paraguai.
Ontem, o vice-prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo Mac Donald Ghisi (PDT), sobrevôou as áreas atingidas e determinou a remoção das famílias que ainda estão em áreas de risco. A situação mais crítica ainda é em Ciudad del Este, onde 220 barracos estão debaixo d’água.
As áreas mais atingidas em Foz são as favelas da Vila Bancária e Jardim Jupira. Trinta e seis famílias estão desabrigadas e foram removidas pela prefeitura para o Ginásio de Esportes Sebastião Flor, no centro da cidade, e em um assentamento provisório no bairro Portal de Foz. Cerca de 80 famílias, entre removidas e que foram socorridas por parente e amigos, estão desabrigadas.
Odair StraliottiDois trechos da BR-376, na Serra do Cadeado, podem ser interditados
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social em Foz anunciou ontem a distribuição de cestas básicas para atender os desabrigados. A Secretaria da Saúde começou a fazer exame entre as famílias removidas para detectar os possíveis casos de leptospirose e tifo.
A situação mais crítica ainda é na Favela San Rafael, em Ciduad del Este, no Paraguai. O número de desabrigados subiu para 660 ontem. Em Porto Franco, cidade paraguaia que também faz fronteira com Foz, a estudante brasileira Carla Marcelina Barros, de 17 anos, morreu afogada depois de ter sido arrastada pela correnteza.
Vazão No encontro dos rios Paraná e Iguaçu, a vazão registrada ontem era de 39 mil metros cúbicos por segundo. A vazão média para os meses de fevereiro seria de 17,5 mil metros cúbicos. A Hidrelétrica de Itaipu mantém a terceira comporta aberta. No vertedouro, estão passando 19,4 mil metros cúbicos a cada segundo. As turbinas consomem 11,5 mil metros cúbicos, totalizando uma vazão de 30,9 mil metros cúbicos entre o que passa pelo vertedouro, sem produção de energia elétrica, e pelas turbinas. A Hidrelétrica de Itaipu não interfere na vazão natural do Rio Paraná.

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