Cheia de falhas, obra do Memorial estaciona
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quinta-feira, 05 de outubro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Mesmo reconhecendo que a obra do Memorial dos Pioneiros, no Centro de Londrina, está praticamente estacionada e cheia de falhas, a prefeitura mais uma vez concedeu prorrogação de prazo à empreiteira responsável. Já é o quarto adiamento no cronograma inicial, que previa para o final de julho a conclusão desta que deveria ser uma homenagem aos desbravadores da região.
No lugar dela, o que se vê são 15 tótens inacabados e pequenas montanhas de tijolos e areia. No início da tarde de ontem, um único funcionário foi visto acimentando uma das colunas. Algumas horas mais tarde, entretanto, nem o pedreiro solitário estava mais lá.
Há três dias, a Folha pediu esclarecimentos sobre o caso ao secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, mas ele disse que desconhecia o andamento dos trabalhos. A reportagem teve de enviar por e-mail uma solicitação de dados ao fiscal da obra. A resposta chegou somente ontem.
Segundo informações repassadas pelo fiscal Moacir Carnelocce, as obras pararam devido a um impasse entre a prefeitura e a empresa Enkar Engenharia, de Curitiba. O Município resolveu suspender os pagamentos depois de constatar que a obra estava ''mal feita'' em vários aspectos. A empreiteira reagiu com a interrupção dos trabalhos.
Uma das falhas registradas pelo fiscal está na qualidade do piso tátil, projetado para facilitar o acesso de deficientes visuais ao Memorial. Seu relevo está ''esfarelando''. Os tótens que homenageiam os pioneiros, de acordo com Carnelocce, também não seguem as especificações do projeto.
Os problemas já haviam surgido logo no começo da obra, quando a empresa responsável subempreitou o serviço. Além do assentamento de pisos ter sido mal executado, fiscais do Ministério Público do Trabalho constataram irregularidades como a falta de equipamentos de segurança. ''A prefeitura já começou a errar na licitação, contratando uma empresa de Curitiba. Será que em Londrina não tinha nenhuma empreiteira digna e competente?'', questionou a moradora Maria Aparecida Felizola, vizinha do Memorial.
Em agosto, o secretário de Obras havia declarado à Folha que, se a empresa não concluísse a obra até o final do mês e não apresentasse justificativa plausível, seria multada. O fiscal consultado pela Folha, entretanto, afirmou que não houve nem justificativa, nem multa. Ao invés disso, a empreiteira teve o prazo prorrogado para o último dia 3 de outubro e, agora, para 2 de dezembro.
''Já perdi as esperanças de ver essa obra concluída. Parece pirraça com os moradores do Centro. Quem está pagando somos nós, com poeira, doenças respiratórias e tropeções'', indignou-se Maria Aparecida, que foi contrária à obra desde sua concepção. Ela e outros moradores chegaram a reunir 1 mil assinaturas contra o Memorial.
Também residente defronte ao memorial, Maria Thereza Forattini se resignou: ''Não espero deste governo qualquer coisa decente. Não há mais nada a fazer pois, como diz minha mãe - pioneira de 94 anos, viva e lúcida - contra a força não há argumento.''
A reportagem tentou falar várias vezes com Freitas, ontem, mas sua secretária informou que ele estava ocupado. O telefone da Enkar Engenharia em Curitiba, fornecido pela prefeitura, não funciona.


