Josoé de Carvalho




Claudio Martins Costa (foto de cima) e Ademir Luiz da Silva (foto de baixo): promessa antiga

O Lindóia é um dos cinco principais ribeirões que cortam Londrina, juntamente com o Jacutinga e Quati - também na zona norte -, Cafezal (zona sul) e Cambezinho, que forma os quatro lagos Igapó na área central. O Lindóia nasce na divisa de Londrina com Cambé, atrás do Pool de Combustíveis (zona Oeste), atravessa dezenas de conjuntos habitacionais da zona norte, se encontra com o Quati e os dois passam a formar o ribeirão Ibiporã, já no município vizinho com o mesmo nome (14 quilômetros a leste de Londrina).
Nos 4 quilômetros de extensão entre o parque Ouro Verde e o conjunto João Paz - espaço onde serão formados os cinco lagos - atualmente pouco se vê das escuras águas do Lindóia, que tem o leito principal estreito e corre espremido no centro de várzeas cobertas por capim e vegetação rasteira. Na maior parte dos fundos deste vale, a mata nativa está quase extinta. Em vários pontos - como no conjunto Ilda Mandarino e no jardim Alto da Boa Vista -, as áreas de preservação ambiental, 30 metros em cada margem do ribeirão, foram invadidas por famílias sem-teto para a construção de barracos.
Nos fundos dos jardins Paraíso e Pacaembu - onde futuramente ficará o maior dos cinco lagos - as águas do ribeirão formaram nos últimos anos uma lagoa de tamanho razoável. É nela que, nestes quentes dias de verão, nadam e pescam os estudantes em férias, desempregados e moradores da região. Eles não se surpreendem com a notícia de que a Prefeitura programa construir as barragens e formar os lagos.
‘‘Isso é promessa antiga, mas nunca chega. Já era para ter esses lagos, que seriam muito importantes para a população daqui. Mas entra administração, sai administração e os lagos não aparecem’’, reclama o comerciante Ademir Luiz da Silva, que reside no conjunto habitacional Milton Gavetti e diz pescar quase todos os dias na ‘‘lagoa do Paraíso’’.
Segundo ele, a água da lagoa está boa e nela podem ser pescados lambaris, bagres, tilápias e traíras. ‘‘Isso aqui é nossa única opção de lazer. Seria muito bom se fizessem mesmo os lagos, bem parecidos com os do Igapó. Seriam os nossos Igapozinhos e iriam valorizar bastante nossas casas e terrenos’’, avalia Ademir da Silva.
O servente de pedreiro desempregado Claudio Martins Costa também passa algumas horas diárias na lagoa, e afirma que espera há anos pela construção dos lagos e pela recuperação dos fundos de vale do Lindóia. Diretor da Associação de Moradores do jardim Paraíso, onde mora há cerca de 20 anos, ele comenta que os ‘Igapozinhos’ não só valorizariam os imóveis dos bairros vizinhos como também garantiriam lazer e melhor qualidade de vida aos moradores da região.
Os estudantes Carlos Eduardo Oliveira (13 anos), Marcelo Ferreira de Souza (14), Jefferson Aparecido da Costa (11) e David da Silva (13) brincam e nadam nas águas da lagoa do Paraíso todas as tardes. Moradores da vizinhança, eles ficam entusiasmados com a possibilidade de ter, em breve, lagos maiores e melhores para a diversão. Carlos comenta: ‘‘Seria muito legal se fizessem logo estes lagos. Eu gosto muito de ir ao Igapó, no centro da Cidade, nos fins de semana. Mas faz tempo que não vou, porque não tenho dinheiro para o ônibus.’’
(Osmani Costa)

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