Curitiba

Jader da RochaPerto do fimA marcha dos sem-terra avançou ontem 13 km, na altura de Vila Velha; eles dormiram à margem do TibagiOs trabalhadores sem-terra que estão em marcha em direção a Curitiba vão insistir em acampar em frente ao Palácio Iguaçu, caso até o dia 22 (data prevista para a chegada à capital) ainda haja lideranças do MST na prisão. A afirmação foi feita ontem por Nildemar da Silva, da coordenação estadual do movimento. A determinação dos sem-terra contraria o anúncio feito pelo prefeito Cássio Taniguchi, que destinou para o acampamento um parque a 12 quilômetros do Palácio e prometeu acionar a polícia caso a orientação não seja seguida.
Dos 24 líderes sem-terra presos durante as três desocupações de áreas no mês passado, oito permanecem detidos. ‘‘Os companheiros estão revoltados com as prisões e ontem (terça-feira) esse foi o principal assunto nas reuniões de grupos durante a marcha’’, disse Silva.
Segundo ele, o MST também espera o atendimento das outras reivindicações incluídas na pauta enviada há 20 dias ao Incra e ao governo do Estado. O movimento quer a definição imediata de áreas para assentar pelo menos parte das 9 mil famílias sem-terra acampadas no Paraná.
O prefeito Cássio Taniguchi disse que não é contra a manifestação, mas que quer ‘‘evitar a baderna o confronto’’. Segundo ele, a prefeitura fornecerá transporte e alimentação para os sem-terra, mas exigirá que eles fiquem acampados no Parque dos Tropeiros, uma área de 174 mil metros quadrados no bairro Fazendinha. ‘‘O direito de ir e vir é o mesmo que tem o administrador público de determinar onde manifestantes podem acampar’’.
Ontem a marcha dos sem-terra, com cerca de 600 integrantes, deixou Vila Velha, em Ponta Grossa, e avançou 13 quilômetros. Os manifestantes passaram a noite acampados à margem do Rio Tibagi. Hoje eles pretendem andar mais 15 quilômetros.
Maria de OliveiraA superintendente estadual do Incra, Maria de Oliveira, marcou para hoje às 10h30 uma entrevista coletiva na sede do órgão em Curitiba. Acompanhada do assessor Osvaldo Aranha, ela passou os três últimos dias em Brasília.
Na convocação da entrevista, a assessoria de imprensa do Incra informa que o assunto é a fazenda Pinhal Ralo. Mas ontem surgiram comentários de que Maria de Oliveira teria colocado o cargo à disposição do presidente nacional do Incra, Milton Selligmann. Estaria evoluindo o entendimento de que a manutenção da superintendente está cada vez mais difícil. Não há, contudo, intenção de indicar para o cargo pessoas ligadas aos ruralistas.

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