A partir de hoje os 150 portadores do vírus HIV cadastradados pelo Conselho Municipal de Saúde deverão ter o fornecimento do coquetel anti-Aids - que combate as doenças oportunistas - regularizado. Chegaram ontem à noite, via aérea, 80 frascos de Crixivan, inibidor de protease que estava faltando desde o dia 22 de janeiro. O coquetel é composto por vários medicamentos, entre eles três inibidores de protease. A utilização melhora a qualidade e expectativa de vida dos aidéticos.
A chefe do Centro Regional de Especialidades (Crea) da 17ª Regional de Saúde, Cristina Gil, informou que o lote de medicamentos foi ‘‘adiantado’’ pelo governo do Estado para garantir a continuidade do tratamento, e que a quantidade deverá ser o suficiente até a chegada da compra feita pelo Município. ‘‘Quando o laboratório entregar o pedido da prefeitura, o Município vai repor a quantidade emprestada. O importante é sanar o quanto antes o problema que causa a falta do medicamento.’’
Segundo Cristina Gil, o atraso foi ‘‘circunstancial’’. O que mais contribuiu, diz ela, foi o aumento do preço do Crixivan que passou de cerca de R$ 300,00 a caixa para R$ 500,00. Com isso, o valor total da compra ultrapassasse o limite definido por lei para compras sem licitação e o Município teve de abrir processo para adquirir o remédio. ‘‘Infelizmente a licitação é um processo burocrático lento.’’
Cristina Gil admite, porém, que houve ‘‘falta de experiência’’ da equipe que assumiu a prefeitura. ‘‘A equipe acreditou que o processo de compra era automático. E não era.’’
O atraso de praticamente um mês no repasse do medicamento trouxe sérios problemas e preocupação entre os usuários. ‘‘Já temos vários casos de portadores hospitalizados devido a falta do coquetel’’, afirma Silvana Gomes dos Santos, membro do grupo ‘‘Reagir’’.
O superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, diz que não haverá mais atrasos. ‘‘Há vontade política de continuar fornecendo os medicamentos e os recursos estão disponíveis. Os usuários podem ficar tranquilos porque estaremos trabalhando para que isto não volte a acontecer.’’

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