Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Chega hoje pela manhã, em Curitiba, o garoto Henrique Busnardo, 12 anos, o primeiro paciente transplantado do Brasil que recebeu parte dos pulmões dos pais para garantir a sobrevivência. ‘‘Juntas, as metades inferiores do pulmão do pai e da mãe substituiram perfeitamente o pulmão da criança’’, explica o médico José Camargo, que fez o transplante intravivos, em Porto Alegre, no dia 17 de setembro. Nos Estados Unidos, a cirurgia vem sendo realizada com sucesso há mais de 5 anos.
Camargo diz que o transplante foi a única solução para curar a grave doença que Henrique contraiu em 1996, bronquiolite obliterante. A doença evolui a partir de uma virose, que provoca o fechamento das vias áereas do pulmão e, como consequência, falta de ar crônica e o aumento da caixa toráxica.
‘‘O caso do Henrique era grave e, por isso, tivemos que antecipar a cirugia. Desde janeiro, ele vinha usando um aparelho para poder respirar’’, revela. O médico informa que em alguns casos a criança consegue se desenvolver dentro das limitações da doença. Ele garante que a retirada de parte do pulmão não vai afetar a vida dos doadores.
‘‘A cirurgia foi um sucesso’’, comemora o pai do menino, Amadeu Busnardo, 55 anos. Ele afirma que temia um transplante tradicional pelos riscos de rejeição e que não teve nenhuma dúvida antes de oferecer-se como doador. Para se recuperar da cirurgia, ele e a esposa, Márcia Santos, 48, passaram quase um mês internados. ‘‘Ele não tinha condições de brincar fora de casa com os amigos e perdeu dois anos na escola. O professor universitário espera que o filho volte a viver como uma criança normal e possa realizar o maior sonho: ser jogador de futebol – ‘‘do Coritiba é claro’’.
A expectativa da irmã, Letícia, 24 anos, também é grande. Separada do irmão há mais de 40 dias ela está preparando uma recepção ‘‘surpresa’’ para Henrique. ‘‘A maioria dos familiares e muitos colegas dele vão até o aeroporto para recepcioná-lo.’’

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